Entre inundações, secas, epidemias, escassez de alimentos e altas de preços, o mundo parece estar começando a girar fora de seu eixo. Apesar dos dramas ocorridos no meio século passado, os historiadores e cientistas naturalistas nos dizem que esse foi um período de calma relativa na natureza e nos acontecimentos humanos. Mas, esse hiato na história da humanidade parece estar chegando ao fim. Estamos nos aproximando de uma mudança de fase que colocará em xeque muitas suposições longamente aceitas. Esta transformação é causada em grande parte pelo contragolpe da natureza diante do mau comportamento humano. E é para a natureza - diz uma nova escola de ecologistas - que devemos olhar agora para obter indicações sobre como sobreviver nos tempos turbulentos que virão. Esses ecologistas recorrem ao termo inglês resilience (resiliência), que descreve a capacidade de um organismo absorver impactos sem perder sua forma e a capacidade de funcionamento. É comum ver essa resiliência tanto na natureza quanto em seres humanos sãos, mas podem sociedades inteiras se converterem resilientes diante de mudanças traumáticas? Em abril deste ano, 600 ecologistas, antropólogos e cientistas sociais se reuniram em Estocolmo na Resilience 2008, a primeira conferência global a aplicar os princípios da resiliência às sociedades humanas. Foi essa a culminância de mais de 30 anos de trabalho de um pequeno grupo de pensadores que se autodenominou Resilience Alliance. A questão analisada foi se a humanidade segue inevitavelmente em direção a uma cascata de situações catastróficas ou se há possíveis meios para evitar que nos precipitemos nela. Frances Westley, fundadora do programa Social Innovation Generation da Universidade de Waterloo, no Canadá, diz que a engenhosidade humana guiada pelos valores humanos é nossa melhor oportunidade de sobreviver nos tempos difíceis que se aproximam.

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