São os carris que me levam, e os fios da electricidade, toda paisagem relevam, vou em boa velocidade. Ando sempre em viagem, longe de onde vou dormir, quase não tenho paragem, porque o meu destino é ir. Depressa hei-de chegar, nem que seja em pensamento, até á proxima gare, distante neste momento. Respiro numa carruagem, juntamente com alguém, todos estão de passagem, não conheço ninguém. Tenho um passe social, com a duração de um mês, investi o capital, para o ir buscar outra vez. Quando as portas se abrem, logo se fecham - já vi, ás vezes as pessoas mal cabem, mas hoje há lugares vagos aqui. Sinto-me embalado pela turpidação, o banco bem podia ser sofá, será uma divagação, pensar porque estou cá? Já estou quase onde queria, entre minutos tudo passou, a minha ansia ganhou harmonia, a viagem acabou!

Paulo Gama