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Publicado por ACS em 20 Mar 2010 | sob: politica & economia, jornalismo
Enquanto viajo ao Brasil – devo aportar por aí no meio da tarde –, quem sabe algum leitor tucano explique por que um país que cresce e se desenvolve como nunca cometeria o desatino de pôr na Presidência da República outro irresponsável tucano que, diante de problemas sérios como o da Educação, se sai com essas onomatopéias idiotas. A Educação em São Paulo é um desastre ainda maior do que a Saúde, o transporte público, a Segurança pública etc. E é injustificável - não falta dinheiro ao Estado mais rico da Federação. O que falta a José Serra não é só competência, é caráter, como faltava a outro tucano que fazia ruídos desconexos diante de críticas fundamentadas. FHC tinha uma “resposta” pronta para qualquer crítica que lhe fizessem: era tudo “nhenhenhém”; Serra diz que as queixas dos professores, dos médicos, dos policiais, enfim, de todo o funcionalismo que, desde Mario Covas, só vê sua vida piorar, são “trololó”. Como é que você, paulista, quer que professores, policiais, médicos, garis, enfim, que um funcionalismo público que a cada dia sobrevive com mais dificuldade lhe preste bons serviços? Será que nunca iremos acordar, neste Estado? A droga midiática que os paulistas consomem em doses cavalares nos impede de enxergar que tanto o “nhenhenhém” de um quanto o “trololó” do outro não passam de “blábláblá” de político safado para fugir às suas responsabilidades. Mas Serra, FHC e sua quadrilha podem ter certeza de que, neste ano, o Brasil dirá não às drogas. De novo.
Publicado por ACS em 20 Mar 2010 | sob: politica & economia, jornalismo
Há algumas semanas, o jornalista e blogueiro Luis Nassif adverte para um fato grave que continua ignorado pela mídia golpista. “Duas investigações em andamento – a Operação Castelo de Areia e o caso José Roberto Arruda – estão batendo direto no sistema de financiamento de campanha do governador José Serra”. Para o jornalista e integrante do movimento Mídia Livre, Altamiro Borges, “não é à toa que Serra chegou a sugerir o governador do Distrito Federal como vice na campanha à presidência”.
Publicado por ACS em 13 Mar 2010 | sob: politica & economia, futuro, jornalismo, pessoas
O resultado do PIB em 2009 (-0,2%) foi consequência, entre outros fatores, de uma campanha contra o Brasil feita por parte da mídia, afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos. Ele criticou também empresários e sindicalistas por terem “aderido” a essa campanha, contribuindo para reduzir a atividade econômica no pior momento da crise, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedia que as pessoas continuassem consumindo. Ele citou os presidentes da Fiesp, Paulo Skaf, da Força Sindical, Paulo Pereira da Siva, o Paulinho, e da Vale, Roger Agnelli. O primeiro por ter defendido acordos que incluíam redução de jornada e salários, o segundo por ter afirmado que a crise provocaria 3 milhões de desempregados e o último por ter defendido, no final de 2008, uma “flexibilização temporária” da legislação trabalhista. “Ele (Agnelli) foi oportunista. Estava se aproveitando da crise para fazer ajustes em sua empresa”, disse Artur, que considerou também “absurda” a previsão feita por Paulinho. “De onde ele tirou esse número (3 milhões)?”, questiona. Em 2009, segundo os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o Brasil criou 995 mil empregos formais.
Publicado por ACS em 10 Mar 2010 | sob: futuro, jornalismo, pensamentos, pessoas
“As empresas jovens nao estao perdendo nem um nanosegundo com o iPad ou pensando em como cobrar pelo conteúdo. Sao as empresas mais velhas, elas é que estao pensando nisso”. A análise é de Marc Andreessen numa conversa com o TechCrunch. Quando quem está falando é o co-criador do Mosaic (primeiro browser), fundador da Netscape e investidor em projetos como Digg, Ning e Twitter, a gente pára e presta atençao. Andreessen diz que as empresas de comunicaçao nao tem aptidao para a tecnologia, mas precisam aprender rapidamente uma liçao a partir da experiência de quem está nesse segmento - lidar com a mudança constante. E mais - quem está no negócio da comunicaçao, mesmo que nao queira, está também na área da tecnologia, porque seus produtos estao sendo consumidos em formato digital. Segundo Andreessen, jornais e revistas que cobrarem pelo acesso ao conteúdo digital nao vao chegar aonde o público está - porque ele está na web aberta, gratuita. Radical, Andreessen propoe - “Queimem os navios”. É uma referência à lenda sobre a chegada de Hernán Cortés ao Mexico. O conquistador espanhol teria mandado queimar as embarcaçoes nas quais tinha viajado para que nao fosse possivel voltar. Para jornais e revistas, os barcos sao as operaçoes impressas. Elas deveriam ser fechadas e as empresas deveriam abraçar a internet de coraçao aberto. “Precisa queimar os navios, precisa se comprometer (com o futuro)”, porque se a mídia tradicional nao queimar seus próprios navios, outros vao fazer isso - avisa Andreessen.
Publicado por ACS em 06 Mar 2010 | sob: politica & economia, futuro, jornalismo
Basta que Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República recém-ungida por Lula, faça referências bastante genéricas à natural, inescapável relação entre Estado e Economia, e de pronto o deus nos acuda se estabelece. Quem acompanha a cobertura jornalística, quem lê os editoriais dos jornalões, fica exposto à sensação (à certeza?) de que, se Dilma ganhasse as próximas eleições, o Brasil cairia nas mãos da horda estatizante. Mauricio Dias, em sua Rosa dos Ventos, agudamente avisou, faz duas semanas, que a divergência quanto à correta interpretação do papel do Estado nos domínios econômicos acabaria por excitar cada vez mais o debate eleitoral. Pois a questão está posta, e ganha tons exasperados, e até anacrônicos, na convicção medieval de que aos barões cabe a propriedade de tudo. Nesta edição, o confronto já esboçado está na capa. Aqui me agrada recordar certas, fundamentais circunstâncias em que se deram as privatizações celebradas como trunfo do governo de Fernando Henrique Cardoso, entre elas, em primeiro lugar, o desmantelamento da velha Telebrás, leiloada para uma plateia de barões à sombra do martelo de um punhado de extraordinários leiloeiros. Final de 1998, FHC já reeleito, mas ainda não empossado, para o segundo mandato. Operação entregue aos cuidados do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, de André Lara Resende, presidente do BNDES, de Ricardo Sergio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil. Entre outros menos qualificados. Grampos variados acabaram por revelar o pano de fundo de uma bandalheira sem precedentes na história pátria. Foi uma orgia de fitas. Em sua reportagem de capa da edição de 25 de novembro de 1998, CartaCapital dizia: “Fala-se em 27, mas certeza só tem quem participou dos grampos”. Ilegais, obviamente, e desde o início do ano destinados a ouvir as conversas do próprio Luiz Carlos Mendonça de Barros, que ainda estava na presidência do BNDES. O que movia os grampeadores, adversários de Mendonção, era buscar as razões da vertiginosa ascensão da Link Corretora de Mercadorias Ltda., dos filhos do grampeado: em quatro meses de atividade tornara-se a terceira operadora no ranking do Índice Bovespa Futuro. “Cerca de 40% desse índice – sublinhava CartaCapital – era composto por ações da Telebrás, empresa sob o comando do presidente do BNDES.” O cerco a Mendonção prosseguiu mesmo quando ele se mudou para o Ministério das Comunicações, e ali, no seu gabinete, as gravações mais significativas, relativas ao leilão da Telebrás, foram executadas entre 21 de julho e 21 de agosto de 98. O próprio governo, pego no contrapé, cuidou de divulgar uma versão da fitalhada, com cópias generosamente fornecidas às semanais Veja e Época. Cópias amplamente manipuladas, para provar a lisura dos comportamentos das figuras governistas chamadas a conduzir a privatização do sistema. Ocorre que outros ouvidos entraram em cena, e tiveram acesso a largos trechos cancelados nas versões oficiais. Os ouvidos de Luiz Gonzaga Belluzzo e do acima assinado, que participaram de uma audição especial, e do então redator-chefe, Bob Fernandes, privilegiado em outra ocasião. Cito algumas passagens edificantes, que não figuravam nos textos de Veja e Época. De Mendonção para o irmão José Roberto: “O negócio tá na nossa mão, sabe por quê, Beto? Se controla o dinheiro, o consórcio. Se faz aqui esses consórcios borocoxôs são todos feitos aqui. O Pio (Borges, vice-presidente do BNDES) levanta e depois dá a rasteira”. De Mendonção para André Lara Resende, novo presidente do BNDES: “Temos de fazer os italianos na marra (Telecom Italia) que estão com o Opportunity (…) fala para o Pio que vamos fechar (os consórcios) daquele jeito que só nós sabemos fazer”. De André Lara Resende para Persio Arida, sócio de Daniel Dantas no Opportunity: “Vá lá e negocia, joga o preço para baixo, depois, na hora, se precisar, a gente sobe e ultrapassa o limite”. As pressões chegam ao clímax, e Mendonção propõe: “Temos que falar com o presidente”. E Resende: “Isso seria usar a bomba atômica!” E ele a usa: “Precisamos convencer a Previ”, recomenda a FHC. A Previ poderia prestar-se ao jogo, como se prestou no caso da privatização da Vale do Rio Doce. O fundo, contava Carta-Capital na reportagem de capa assinada por Bob Fernandes, “parecia compor-se com o grupo capitaneado por Antonio Ermírio de Moraes, à última hora bandeou-se para a nau pilotada por Benjamin Steinbruch”. Na manobra para enredar a Previ no caso do leilão da Telebrás, foi decisiva, segundo os trechos omitidos das versões oficiais, a pronta colaboração de Ricardo Sergio, o diretor do Banco do Brasil. Tal é o bastidor das privatizações à moda nativa, ou melhor, tucana. Ou fernandista, se quiserem. A trupe dos privatizadores abandonou a ribalta faz bom tempo, mas não é arriscado imaginar que viva dias pacatos. O mais ostensivo, no seu bem-bom, é André Lara Resende, hoje dono de uma quinta em Portugal. Devotado aos esportes equestres, freta aviões para importar seus cavalos.
Publicado por ACS em 06 Mar 2010 | sob: politica & economia, jornalismo
A revista Veja de 6 de março traz na capa a manchete “Caiu a casa do tesoureiro do PT” e anuncia a revelação de um escândalo que desviou dezenas de milhões de reais que abasteceu o caixa 2 da campanha de Lula em 2002. Em material de divulgação na internet, a Editora Abril diz a revista traz com “exclusividade um dos maiores escândalos político-eleitoreiros dos últimos tempos”. Não há na matéria qualquer revelação ou mesmo exclusividade pois a Bancoop é saco de pancada da Bandnews, Estadão e IstoÉ há longos quatro anos. A abordagem tão grosseira e analfabeta da Veja só acontece porque não há no país um controle social da imprensa e uma legislação que permita, no mínimo, o direito de resposta. Ou, ao menos que imponha à revista que ouça os criticados, o que paraveja é uma veleidade, pois toda a matéria foi produzida sem que em qualquer momento a Bancoop fosse ouvida. Ou seja, Veja se dá o direito de esculhambar porque está segura da impunidade. Em qualquer outra circunstância, certamente a reportagem lhe renderia um milionário processo por injuria e difamação, além de ter que publicar um direito de resposta do mesmo tamanho. Na verdade, Veja dá o primeiro passo das diretrizes definidas no seminário do Instituto Millenium, realizado em 1º de março, onde um núcleo estratégico dos barões da mídia brasileira se alinharam com o tucano José Serra e articularem linhas mestras de ataques pesados à candidatura Dilma. A tática funciona assim, um veículo esquenta o assunto independente da verdade dos fatos, outros jornais o acompanham e os articulistas ampliam o debate. Vamos ver quando Arnaldo Jabor vai dar o assunto e a CBN coloque-o como “uma singela dose de polêmica de um cineasta maluco”. Que a Bancoop passou por uma crise isso é de conhecimento público, fartamente noticiado pelos jornais. Veja não se deu ao serviço de ler o clipping de noticiários anteriores. E se existe um caso que passou por todas as instâncias de auditoria e fiscalização, é a Bancoop, seja no Ministério Público, no Tribunal e nas fiscalizações internas. Problemas internos de uma cooperativa foram transformados em bandeira política e agora são agitadas - tendo a capa de Veja como o primeiro movimento - justamente quando é aprovada uma a CPI do Banespa na Câmara dos Deputados que poderá fazer um enorme ajuste de contas com as privatarias do governo FHC, tendo como José Serra o ministro do Planejamento. A comprovação de que a liberação de R$ 4 bilhões (hoje R$ 14 bi) de títulos do Tesouro Federal como doação ao Santander pode por muitas autoridades na cadeia. Conhecendo como funciona a imprensa golpista, outros jornais e televisões destacarão o assunto, dentro da lógica da ‘infestação’ em cadeia. A liberdade de imprensa permite que todos os veículos de comunicação tenham o direito de se posicionar a favor de qualquer candidatura. O que Veja faz é mentir, distorcer e propagar articulações claramente eleitoreiras como se fossem informações.
Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia, jornalismo, empresas, futebol
Ao ver a insistência dos meios de comunicação aliados de José Serra de vincularem José Roberto Arruda a Lula e ao PT, chego a pensar que não se trata, apenas, de uma tentativa real de influir na política enganando o eleitorado, mas da intenção deliberada desse grupo político de meramente esbofetear seus adversários. A insinuação dos jornais, revistas, tevês, rádios e portais de internet é a seguinte: podemos fazer tudo. Somos senhores da realidade. Podemos fazer com que a queda de Arruda, adversário político de Lula, seja vista como queda de um aliado do presidente e com que as pessoas vinculem o governador pefelê ao PT, invertendo essa prova que sobreveio de que os acusadores do partido e do presidente da República é que são os verdadeiros corruptos. Esse conclave político-midiático considera a guerra psicológica uma espécie de componente do jogo político. Esbofetear aqueles que sabem que Arruda é um expoente da oposição a Lula, um aliado de José Serra que estava sendo anunciado há umas boas semanas como provável candidato a vice na chapa do tucano à Presidência, abalaria o moral dos petistas e do seu eleitorado. A teoria da mídia não deixa de ter algum fundamento. Desde a prisão de Arruda, pelo menos aqui em São Paulo muita gente está criticando Lula pelo que aconteceu com o aliado de Serra. E não falo apenas de pessoas comuns que se põem a mentir deliberadamente por não gostarem de Lula, do PT e, agora, também de Dilma. Falo de pessoas sem maior politização. Vocês sabem por que o PFL mudou seu nome para “Democratas”? Porque o partido estava muito desgastado com seus constantes escândalos e, assim, precisava enganar o eleitorado, aparecendo como uma nova força política “na praça”. E deu certo. Um partido que já era visto como símbolo da corrupção (o PFL) conseguiu eleger o prefeito da maior cidade do país e o governador da capital da República. Querem se assustar mais? Tem muita, mas muita gente que não sabe que o Democratas é o PFL, assim como há muita gente que pensa que Serra é o candidato de Lula à Presidência, assim como, agora, também há muita gente que pensa que Arruda era aliado do presidente da República. Como funciona isso? Ora, vá aos blogs do Noblat, do Josias de Souza, do Reinaldo Azevedo, por exemplo; ou aos portais UOL, G1, IG, Terra; ou às Globos, ao SBT, à Band, à RedeTV!, à TV Gazeta, à TV Cultura, à CBN, à Eldorado; ou à Folha de São Paulo, ao Estadão, à Veja, enfim, vá à grande mídia e verá cobranças a Lula por conta de Arruda. Claramente. Como se fosse a coisa mais natural do mundo cobrar um político pelas estripulias de seus adversários. Como fizeram isso? Distorceram declarações do presidente como a de que não seriam as imagens da corrupção de Arruda que o condenariam, mas, sim, o devido processo legal, ou de que é lamentável, para a classe política, o que aconteceu com o governador de Brasília, obviamente que não devido à queda de um inimigo político de Lula ser ruim para ele, mas porque desmoraliza ainda mais a classe política junto à sociedade. Mas será que esses meios de comunicação, será que esses jornalistas que mencionei acham que podem fazer o país pensar que Arruda é problema de Lula? Será o conjunto do povo tão estúpido assim? Não é preciso pensar muito para responder que é claro que não, que só uma parte da sociedade é assim tão mal informada, tão ignorante sobre política – e sobre tudo, pois quem cai num golpe desses não sabe nem onde tem o nariz. Contudo, é justamente esta parcela da sociedade que é o alvo. E não é uma parcela muito pequena, há que dizer. O que essa mídia pretende, pois, é que essa parcela canalha dos brasileiros que acusa, de forma consciente e proposital, quem jamais foi flagrado como foi o grupo político de Serra e Arruda, junte-se àqueles inocentes úteis que não têm a menor noção do que está acontecendo no país e que, assim, compram a mentira de que Lula tem algo que ver com o governador caído de Brasília. Mas, também, essa gente aproveita para infligir um sofrimento psicológico aos seus adversários inundando a mídia com uma mentira absurda sem que estes tenham como reagir à altura sem levantar um enorme debate que não ficaria bem os alvos dessa farsa enfrentarem, pois pareceria que têm culpa no cartório. Eis a bofetada que levam os homens e mulheres decentes e conscientes desta nação. É nesta hora, porém, que, apesar da indignação, temos que manter a serenidade e a confiança no povo brasileiro, na verdade e na justiça. Mais do que nunca, as vítimas dessas hienas temos que ter em mente o sábio dito popular que reza que “Quem ri por último, ri melhor”.
Publicado por ACS em 19 Jan 2010 | sob: futuro, jornalismo, cultura
No final do ano passado, a revista “The Economist” brindou-nos com uma matéria de capa cujo título era: “O Brasil decola”. A reportagem chama nosso país de maior história de sucesso da América Latina. Lembra que fomos os últimos a entrar na crise de 2008 e os primeiros a sair e especula que possamos nos tornar a quinta potência econômica do globo dentro de 15 anos. Não é apenas a revista inglesa que vem falando dos avanços aqui obtidos nos campos institucional, social e econômico nas últimas décadas. Somos hoje referência no mundo e um exemplo para os países em desenvolvimento, vistos como uma boa-nova que surge abaixo da linha do Equador. Diante disto, me pergunto se a imprensa brasileira está em sintonia com a mundial -que aponta nossos defeitos, mas reconhece nossos méritos.Tal dúvida me surge porque há um Brasil que dá certo e que aparece pouco nos meios de comunicação. Aparentemente, o destaque é sempre dado ao escândalo do dia. Isso deixa a sensação de que não estamos conseguindo explicar aos brasileiros o que a imprensa internacional tem explicado aos europeus, norte-americanos e asiáticos. Tornar públicas as mazelas é obrigação da imprensa em um país livre. Mas falar somente do que há de ruim na vida nacional, dia após dia, alimenta e realimenta a visão negativa que o brasileiro ainda tem de si. Se as coisas por aqui caminham para um futuro mais promissor, é porque, em vários âmbitos, estamos fazendo o que é o certo. Para líderes políticos, empresariais e sociais dos países que precisam encontrar o caminho do progresso, conhecer nossas experiências bem sucedidas pode ser o que buscam para desatar os nós que ainda os prendem na pobreza e no subdesenvolvimento. O fato é que, ficando nos estreitos limites do senso comum, a sensação é de que a imprensa, de uma forma geral, considera o que é bem feito uma obrigação -não merecedor, portanto, de ocupar espaços editoriais, porque o que está no plano da normalidade não atrairia os leitores. Ocorre que o que acontece aqui, hoje, repercute onde antes não imaginávamos. Por outro lado, há uma mudança cultural em curso na sociedade brasileira e a imprensa tem um papel preponderante nesse processo. O protagonismo internacional do Brasil e nossa capacidade de criar novos paradigmas impõem que a boa notícia seja tão realçada quanto são os fatos que apontam para a necessidade absoluta de uma depuração de costumes que ainda persistem em nossas instituições.
Emílio Odebrecht
Publicado por ACS em 10 Jan 2010 | sob: futuro, jornalismo
“Tornar públicas as mazelas é obrigação da imprensa em um país livre. Mas falar somente do que há de ruim na vida nacional, dia após dia, alimenta e realimenta a visão negativa que o brasileiro ainda tem de si.”
Publicado por ACS em 25 Dez 2009 | sob: politica & economia, jornalismo, pessoas
“Aos olhos de todos, [Lula] encarna o renascimento […] de um gigante”, diz o jornal. Na edição, o “Le Monde” diz ainda que Lula criou uma nação democrática e dinâmica, que combate a pobreza enquanto promove o crescimento econômico. “Participante do grupo dos países emergentes, mas também do mundo em desenvolvimento com o qual se sente solidário”, Lula “colocou firmemente seu país em uma dinâmica de desenvolvimento”. O prêmio, explica o jornal, é resultado também da bem sucedida campanha de Lula para transformar o Brasil em ator internacional. “Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo o interessa e lhe diz respeito”, diz o artigo, assinado por Jean Pierre Langellier, correspondente do jornal no Rio de Janeiro. O jornal destaca ainda que Lula encerrará seu mandato em 2010 sem pleitear por um terceiro mandato –tendência nas vizinhas Venezuela, Colômbia e Bolívia. “Seguiu sendo um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso com os equilíbrios naturais”, diz a publicação.
Publicado por ACS em 05 Dez 2009 | sob: futuro, jornalismo, submundo
O Grupo Folha não vê problema em expor uma ficha falsa da ministra da Casa Civil e candidata do presidente Lula a sua sucessão, Dilma Roussef, na primeira página de um domingo, acusando-a de participar de ações terroristas. Não vê problema também em abrir uma página inteira para Cesar Benjamim expor seus fantasmas político-sexuais (à espera de um Wilhelm Reich) e acusar o presidente Lula de estuprador. Acha também perfeitamente natural chamar de ditabranda a ditadura que sequestrou, torturou e matou inúmeros brasileiros. Mas a Folha e o UOL não gostam de virar vidraça. O blogueiro Arles publicou uns banners em seu blog convidando os navegantes para que cancelassem suas assinaturas do ex-jornalão e do portal. Recebeu uma notificação para que os retirasse do ar. Eu já os havia reproduzido aqui no blog, com link para as imagens do Arles. Mas sou macaco velho e, embora não acreditasse que o Grupo Folha descesse a tanto, havia providenciado backup das imagens. As publico aqui, convocando-os para que façam o download delas para seus computadores e depois subam-nas para seus blogs ou redes sociais. Eles vão ter que notificar a blogosfera toda. Assim vão aprender que os tempos mudaram e não existe mais informação de mão única. Agora eles mandam de lá e nós respondemos de cá.
Publicado por ACS em 29 Nov 2009 | sob: jornalismo
Publicado por ACS em 29 Nov 2009 | sob: jornalismo
Esse espaço do Clovis Rossi na Folha (*) passou a empregar uma linguagem mais agressiva. Mais raivosa. Desesperada.