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Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: lugares, futuro, submundo
Há alguns dias o prefeito Gilberto Kassab, em uma atitude que não entendemos direito, fechou os albergues do Centro de São Paulo acabando com cerca de mais 700 vagas utilizadas pelos desabrigados do Centro de São Paulo (além das 300 fechadas desde 2008) . Isso fez com que centenas de sem tetos, mais do que o habitual, voltassem a dormir nas ruas. A região de Campos Eliseos ficou com suas calçadas abarrotas de pessoas deitadas pelas calçadas. Desde o início da operação de “limpeza” da região da “Nova Luz” os usuários de crack migraram para várias regiões próximas, alguns para perto da Câmara dos Vereadores, outros pra mais perto, como Rua Helvétia, Al. Barão de Piracicaba, Cleveland, nos arredores da estação Julio Prestes que que está exatamente nas bordas da região de atuação da operação Nova Luz. Houve tentativas da Policia de espalhá-los mais, murando as entradas de hotéis baratos irregulares e imóveis abandonados utilizados pelos usuário de crack. Durou alguns dias, logo a Polícia foi embora e os viciados quebraram as paredes levantadas reocupando os imóveis. Outros moradores de rua, a maior parte pra dizer a verdade, que aparentemente não é usuária de drogas mas não tem abrigo,começou a dormir pelos Bairros de Campos Eliseos, Higienópolis, Santa Cecília e Vila Buarque, principalmente embaixo do Elevado Costa e Silva, o Minhocão. A quantidade de pequenos roubos na região, segundo relatos, aumentou muitona região, principalmentna Rua Glete, um acesso importante que liga a estação de metrô Santa Cecília, o Terminal Urbano Princesa Isabel e a Estação Julio Prestes da CPTM. MAS O TEMA DESTE POST é outro! OS MORADORES DE RUA SIMPLESMENTE SUMIRAM ESTA SEMANA!!! Eu não achei noticias, mas não há sequer um dormindo em minha rua, durante dia há pouquissimos catadores nas ruas e, passando durante a noite por baixo do Elevado, principalmente na região do Largo do Arouche que estava insustentável a quantidade de pessoas em condições miseráveis, todos sumiram também!!! É claro que prefiro meu bairro limpo, sem ninguém dormindo nas ruas, mas isto não significa que eles são lixo! Derepente todos somem, não achei sequer uma notícia sobre a reabertura de albergues, realocação deles ou qualquer outra notícia que explique para onde eles foram! Essa é a pergunta que fica: Pra onde foram? Foram realocados em outros albergues? Foram varridos para a periferia? É muito estranho que a situação foi resolvida tão rápido pelo prefeito, principal aliado do governador, candidato não assumido à Presidencia da República. Em ano de eleições o amante das camêras, tweets, holofotes e notícias dos seus feitos nos jornais não falaria aos quatro ventos seu novo feito em um tempo que até São Pedro o abandonou?
Publicado por ACS em 31 Jan 2010 | sob: lugares, futuro, submundo
Quando o Capsule Hotel Shinjuku 510 abriu, há quase duas décadas, o Japão estava apenas começando a sair de sua bolha econômica, e os minúsculos cubículos de plástico do hotel ofereciam um refúgio noturno para trabalhadores assalariados que tinham perdido o último trem de volta para casa. Hoje, as cápsulas do Hotel Shinjuku 510, que não medem mais de 2 metros de comprimento por 1,5 metros de largura, e são tão baixas que uma pessoa não consegue ficar de pé, se tornaram uma opção acessível para quem não tem outro lugar para ir, enquanto o Japão sofre com sua pior recessão desde a Segunda Guerra. Exportadores que antes atravessavam um acelerado crescimento realizaram demissões em massa em 2009, à medida que a crise econômica mundial encolhia a demanda. Muitos dos recém-empregados, forçados a sair de suas casas patrocinadas pela empresa ou incapazes de conseguir pagar o aluguel, ficaram sem casa. As desgraças do país levaram o governo a disponibilizar abrigos de emergência no feriado de Ano Novo em um esforço nacional para evitar os sem-teto. O Partido Democrático, que chegou ao poder em setembro, quer evitar o destino do antigo governo pró-negócios, que foi pego desprevenido quando trabalhadores desempregados armaram tendas perto de repartições públicas, no ano passado, para chamar atenção para seus problemas.
Publicado por ACS em 17 Jan 2010 | sob: lugares
Pesquisadores que estudam os recifes de corais do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, a mais antiga reserva natural dos mares brasileiros, acreditavam conhecer bem a área, até que em 2000 pescadores locais avisaram que havia recifes profundos fora dos mapas. Foram ver e encontraram novas terras submarinas: a área de recifes conhecida em Abrolhos dobrou e vem permitindo conhecer como aquele trecho do litoral se formou ao longo dos últimos milênios. “Essa descoberta casual gerou um projeto ambicioso”, conta o biólogo Rodrigo Moura, coordenador do programa Marine Management Area Science da Conservação Internacional (CI) do Brasil. Formado por cinco ilhotas de origem vulcânica a 70 quilômetros da costa no sul da Bahia, o parque abriga mais do que as baleias-jubarte, que atraem turistas entre julho e novembro. Ali estão os chapeirões, estruturas em forma de cogumelo cujos topos às vezes se unem e formam colunatas por onde circulam barracudas, garoupas, moréias e pequenos peixes coloridos. Das 16 espécies de coral de Abrolhos, metade é exclusiva do Brasil, como o coral-cérebro (Mussismilia braziliensis), principal construtor de recifes na região. O banco dos Abrolhos, maior conjunto de recifes do Atlântico Sul, é maior que os 900 quilômetros quadrados preservados. No total são 40 mil quilômetros quadrados, área semelhante à do Espírito Santo, que só agora começa a ser investigada a fundo. O grupo de Moura explorou o fundo do mar ao longo de 100 quilômetros da costa – entre a foz do rio Jequitinhonha, sul da Bahia, e a do rio Doce, norte do Espírito Santo –, em 19 linhas que partiam do litoral mar adentro, até a queda da plataforma continental, onde a profundidade aumenta subitamente. “Percorrer cada uma dessas linhas demorava dois dias”, lembra o geólogo Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que participou de algumas expedições no barco equipado com um sonar que produzia imagens tridimensionais do fundo do oceano. O geólogo da Ufes se surpreendeu por encontrar, a profundidades de até 50 metros, paleocanais formados há cerca de 15 mil anos, quando o que hoje é coberto por mar era terra. “Esses canais indicam por onde os rios passavam naquela época”, explica. Como estão preservados, sugerem que o nível do mar subiu rapidamente na região.
Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: lugares, pessoas
Algo no Rio Grande do Sul lembra-me o Uruguai. O que é apenas óbvio, dada a proximidade geográfica entre os dois. Mas quem já esteve em Montevidéu e Porto Alegre vai certamente entender o que estou dizendo… Falo sobre isso porque desde ontem estou no interior do Rio Grande do Sul, a trabalho pela TV Record, por conta das chuvas que fizeram desabar uma ponte sobre o rio Jacuí, no município de Agudo. Hoje, passei algumas horas em Agudo, e o Uruguai voltou-me de novo à cabeça. Há pouco mais de um ano, tive o prazer de visitar Colônia do Sacramento, à beira do rio da Prata. Evidentemente, a uruguaia Colônia tem mais história (e mais atrações turísticas e arquitetônicas) do que a pequena Agudo (que, agora, ainda ficou sem sua ponte). Mas Agudo, na hora do almoço, lembrou-me Colônia. A cidade para. Parece dormir uma siesta preguiçosa. O comércio (em parte) fecha. As ruas ficam ainda mais vazias. A gente quase escuta o silêncio, só interrompido por um ou outro carro que passa devagar, sobre o calçamento de pedra na rua principal. Achei muito saboroso encontrar no Brasil uma cidade com disposição pra parar pro almoço! Mas o mais saboroso ainda estava por vir. Meu objetivo era entrevistar Márcio Nunes, jornalista da “Rádio Agudo” (pequena estação local), que narrou ao vivo o momento em que a ponte desabou na última terça-feira. Pois bem. Fui procurar o Márcio no estúdio da “Rádio Agudo”. Fica no térreo de um pequeno prédio, no centro da cidade. Os andares de cima são ocupados por apartamentos residenciais. Quando cheguei ao estúdio era meio-dia e quinze. Dei com a cara na porta. Na entrada havia um aviso de que entre 12h e 13h30 não havia “atendimento ao público”. Claro, a redação da rádio também para pro almoço no interior do Rio Grande do Sul. Mas encostei o ouvido à porta e percebi que havia gente lá dentro. Toquei a campainha, e lá veio um simpático rapaz a atender. André, operador de aúdio, botava a rádio no ar naquela hora. Sim! O povo vai almoçar, mas o André fica por lá. E ele achou tempo pra vir abrir a porta correndo. No estúdio, havia mais um herói da informação: Luiz Henrique, locutor. O Márcio (que eu queria entrevistar) não estava. Mas fiquei a observar André e Luiz Henrique a trabalhar. O Luiz Henrique lia os “avisos e notas”. Na hora do almoço, a rádio presta esse serviço à população. Há notas de falecimento, há notícia sobre a dona fulana, que “segue hospitalizada, mas deve retornar pra casa nos próximos dias”. Lá pelas tantas, o locutor Luiz Henrique surpreendeu-me: “agora, um aviso de desaparecimento; seu fulano, morador da comunidade X, avisa que perdeu uma novilha no campo”. Achei o máximo! Pensei se essa não é a verdadeira “comunicação social”. A rádio fala pro povo simples do interior, que na hora do almoço quer saber quem morreu, quem foi hospitalizado, quem perdeu suas novilhas pelo campo. O Luiz Henrique e o operador de áudio André cumprem sua tarefa com humildade e dedicação. Talvez sonhem em trabalhar na capital gaúcha, no Rio ou em São Paulo. É natural que tenham o sonho de olhar pra longe. Ou, talvez, não. Por que a rádio de Agudo é menos importante do que a Guaíba de Porto Alegre ou a Tupi no Rio? É bonito ver gente a se comunicar com seu povo, sem afetação, sem pretensão, cumprindo o papel de intermediário da notícia. Verdade que nesses dias a “Rádio Agudo” anda agitada, porque a toda hora o locutor precisava interromper os “avisos e notas” para atualizar as informações sobre os desaparecidos no trágico acidente da ponte que ruiu no rio Jacuí. Juro que fiquei com uma vontade danada de trabalhar numa rádio dessas. Imagino que o salário não seja uma beleza, sei que deve ser perturbador ficar dias e dias lendo anúncios fúnebres e notas sobre a eleição da nova diretoria da associação comunitária. Mas invejei o trabalho do Luiz Henrique e do André. Lembrei da minha adolescência, quando decidi ser jornalista. E foi o rádio que me fisgou primeiro. Minha mãe ouvia muito rádio em casa. Eu passei a ouvir, especialmente programas esportivos. Até hoje, adoro ouvir papo furado de locutor de esportes. Gosto do Milton Neves. Já disse isso a ele, por e-mail. Era fã da equipe que o Milton comandava na antiga “Jovem Pan” de São Paulo. Muito jornalista metido a intelectual não gosta do Milton. Ele é tido como “cafona”. Não estou nem aí. Gosto do jeitão simples dele. É a cara do rádio. Quando tinha uns 11 ou 12 anos, meu irmão e eu chegamos a criar uma rádio fictícia, só pra transmitir nossos jogos de futebol de botão. A rádio tinha locutor, repórter, chefe do plantão, comentarista. E tinha até vinheta e comercial. Com o tempo, as transmissões fictícias ficaram tão importantes quanto os clássicos que disputávamos no futebol de mesa. Clássicos que muitas veses terminavam com viradas (literais) de mesa - quando meu irmão ou eu não aceitávamos alguma decisão da “arbitragem”. Aí, nossa rádio saía do ar e o pau comia. He, he. Desconfio que virei jornalista porque queria narrar futebol no rádio. Queria falar no microfone do rádio. Até hoje, não realizei o sonho. Já trabalhei em jornal, TV, fiz freela pra revista. Mas rádio, nunca! Talvez por isso também eu tenha invejado um pouquinho a turma da ” Rádio Agudo”. Era assim, com a simplicidade deles, que eu sonhava fazer jornalismo. Um dia ainda arranjo emprego numa rádio, nem que seja pra dar os resultados do futebol, no meio da madrugada. Ou pra anunciar desaparecimento de novilha nos campos gaúchos. Uma tragédia me trouxe ao sul. Mas acabo aqui falando sobre rádio e lembranças da infância. Ando meio sentimental esses dias. Deve ser o começo do ano…
Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, lugares, pessoas
A cidade de São Paulo está descobrindo, a duras penas, que o preconceito tem preço. Isso ocorre porque esse sentimento menor nos leva a fazer escolhas que interferem em nossas vidas e que se baseiam em premissas moralistas que freqüentemente derivam da mais completa amoralidade. Sim, escrevo sobre o governo Gilberto Kassab, que vai se constituindo em um demonstrativo eloqüente da irresponsabilidade de José Serra, que, a exemplo de Maluf, legou à capital paulista outra nulidade como prefeito. E nem acho que ocorrerem tantas catástrofes a cada chuva em São Paulo seja o melhor exemplo da péssima administração que tem hoje aquela que é a maior cidade do país e uma das maiores do mundo. Sejamos francos: sempre tivemos problemas com chuvas. Dependendo da administração, esses problemas são maiores ou menores, mas sempre ocorrem. E isso porque esta cidade cresceu de uma forma insana e prefeito nenhum evitará que eles aconteçam, ainda que possam tomar medidas preventivas que a administração incompetente de minha cidade não tomou. E por que não tomou? Um dos problemas dessa gente é o ideológico. Kassab acreditou na crise tanto quanto Serra, FHC e a Mídia. Daí que, bem no início dela, o prefeito paulistano cortou quase 7 bilhões de reais do Orçamento por conta de uma queda na arrecadação perfeitamente assimilável. O governo federal vem amargando quedas na arrecadação desde o início da crise, mas optou por investir em vez de cortar. O resto da história todos conhecem. Já a ideologia tucano-pefelê-midiática, só pensa em cortar. Menos em publicidade, é claro, que neoliberal nenhum é de ferro.
Publicado por ACS em 03 Jan 2010 | sob: lugares, futuro, arte
A arquiteta Sônia González não consegue esconder a euforia por sua mais nova conquista, que é também a de uma cidade inteira. No dia 6 de dezembro de 2007, na última reunião do ano do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o órgão federal admitiu João Pessoa para o seleto grupo dos municípios que têm o centro histórico tombado como patrimônio nacional. Coordenadora da Comissão Permanente de Desenvolvimento do Centro Histórico, Sônia conta que o trabalho de recuperação da cidade começou muito antes de o pedido de tombamento ter sido encaminhado ao Iphan, em 2002, por um conjunto de entidades ligadas à preservação da cidade. “Em 1987, criou-se uma equipe multidisciplinar encarregada de levantar o potencial histórico, socioeconômico, turístico e urbanístico da cidade, dados que auxiliaram no tombamento de 502 edificações, 25 ruas e seis praças, mais o Porto do Capim, região onde a capital paraibana nasceu”, explica. Parceria entre órgãos federais, estaduais, municipais e a Agência de Cooperação Internacional do governo espanhol, a comissão chegou a um plano de revitalização e a uma estratégia para evitar a degradação. João Pessoa já nasceu cidade, em 5 de agosto de 1585, sem passar pela condição de vila, graças a sua posição estratégica (ponto mais oriental das Américas) e por ter sido fundada pela Cúpula da Fazenda Real Portuguesa. Ganhou o nome de Nossa Senhora das Neves, a santa do dia. Meses depois, em homenagem ao rei da Espanha, Felipe II, que na época dominava Portugal, virou Filipéia de Nossa Senhora das Neves. Mais tarde foi batizada de Parahyba e, em 1930, ganhou o nome do então presidente da província, João Pessoa, morto durante a campanha presidencial daquele ano, na qual concorria como vice ao lado Getúlio Vargas. Muitas ruas da capital paraibana ainda são calçadas em pedra. Ali se nota a influência das quatro ordens religiosas – carmelita, jesuíta, beneditina e franciscana. Como na Igreja de São Francisco, concluída em 1770, um importante monumento de influência barroca. A cidade mantém seu traçado urbano praticamente original e suas edificações compõem um mosaico artístico que agrega estilos arquitetônicos de várias épocas, desde o barroco até os casarões em art déco.
Publicado por ACS em 02 Jan 2010 | sob: lugares, futuro, submundo
E preciso baixar o corpo, esquivar-se sob uma fenda e adentrar o oco de uma rocha côncava, onde cabem três ou quatro pessoas. Os olhos demoram um tanto a se acostumar. Aos poucos as paredes de pedra vão revelando desenhos em tom avermelhado. Em instantes, uma verdadeira festa primitiva – homens com os braços levantados parecem dançar de um lado a outro, aves ensaiam o vôo e famílias se reúnem em torno de uma fogueira. Os desenhos, localizados nos arredores da cidade de Cerro Corá, interior do Rio Grande do Norte, são pinturas feitas há cerca de 9 mil anos, quando o homem primitivo já habitava a região hoje conhecida como Seridó. Além de Cerro Corá, a região inclui os municípios de Acari, Currais Novos, Caicó, Jardim do Seridó, Parelhas e Carnaúba dos Dantas, que fazem parte de um grande roteiro pela Pré-História. Carnaúba dos Dantas, a 219 quilômetros de Natal, possui mais de 60 sítios arqueológicos. A quantidade e a qualidade dos desenhos impressionam visitantes e pesquisadores do mundo todo. Um dos sítios mais visitados é o Xique-Xique I, localizado nas encostas de uma pequena serra, onde o que se vê são homens caçando, exibindo lanças e flechas, um casal que espanta pássaros (ou quem sabe os encurrala tentando garantir o jantar), crianças sobre uma árvore e mais uma dezena de cenas com grande precisão e expressividade. São centenas de figuras que variam entre 5 e 15 cm, a maioria feita com pigmentos em vermelho, retirados do óxido de ferro. O Xique-Xique I proporciona também ótima visão de todo o vale, onde nossos artistas se protegiam de animais e de tribos inimigas. A Talhada do Gavião é outro grande abrigo onde foram deixadas mais pinturas, dessa vez de artista mais detalhista, que trabalha com figuras geométricas minuciosas e utiliza cores além do vermelho para cobrir quase toda a superfície de pedra. Em meio ao grande mosaico multicolorido, além de algumas cenas envolvendo homens e animais, destacam-se desenhos de pirogas, barcos rudimentares feitos de um único tronco. Para alguns pesquisadores, tais símbolos poderiam indicar que onde hoje prevalece a caatinga pode ter havido um ecossistema bastante diferente, com rios navegáveis e clima mais úmido.
Publicado por ACS em 01 Jan 2010 | sob: lugares, pessoas
Não há segregação no Rio. O melhor exemplo é a festa de ano-novo, que reúne 3 milhões de participantes nas praias. É 30% da população da região metropolitana do Rio de Janeiro, gente de todas as idades, gêneros, religiões (ateus incluídos), classes sociais (inclusive os desclassificados), que lá permanece das 9 da noite do dia 31 de dezembro até por volta das 3 da madrugada seguinte. É o maior espetáculo de integração social metropolitana do Brasil e, talvez, do planeta.
Publicado por ACS em 01 Jan 2010 | sob: lugares
Se um dia você for ao Curral del Rey, aproveite para caminhar sem pressa por Guajajaras, Tapuias, Tupinambás, Aimorés, tribos que a cidade guardou em seu centro. Pare para um dedo de prosa entre Drummond e Pedro Nava, descanse um tiquinho ao lado de Henriqueta Lisboa. Confira nesse arraial, que fica a um tirinho de São Paulo, do Rio de Janeiro ou de Brasília, por que o papa João Paulo II, em 1980, do alto da praça que hoje leva seu nome, exclamou: “Mas que Belo Horizonte!” Belzonte, como se diz em mineirês, é um portal para mergulhar em partes da história do Brasil que tem muito mais que belas igrejas a visitar. Curral del Rey deu origem a BH. Muito antes, porém, de ser o local onde era reunido o gado que daria conta dos impostos recolhidos por dom João VI, já andavam por ali os índios, cujas tribos passaram a batizar ruas da primeira capital planejada do país. Belô cresceu rodeada pela Avenida do Contorno até virar o terceiro maior centro urbano do Brasil. Hoje, além da homenagem nas placas, tem estátuas em tamanho natural de escritores e poetas, como se de repente fosse possível encontrá-los em pleno passeio pela boêmia Savassi, pela Praça da Liberdade, em frente ao palácio do governo e ao lado de um miniedifício Copan, do mesmo Niemeyer que assina a Igreja da Pampulha, pelo Parque Municipal ou pela grande feira de artesanato, sempre lotados aos domingos. “A cidade plantou no coração tantos nomes de quem morreu/ Horizonte perdido, no meio da selva cresceu o arraial”, relembra a música Ruas da Cidade, de Lô e Márcio Borges, integrantes do Clube da Esquina. A esquina, no caso, fica no bairro de Santa Teresa, no qual se pode comer uma excelente macarronada por 6 reais no restaurante do Bolão. Mas, se a idéia for degustar algo mais mineiro, nada melhor que o Mercado Municipal. Menos sofisticado que o dos paulistanos, e mais original, nele se encontra do artesanato aos queijinhos, rapaduras e cachaças; do doce de leite às galinhas que vão virar molho pardo. BH ainda oferece uma rara viagem de trem interestadual (ao Espírito Santo). E também não decepciona com sua programação cultural; um dos pólos é o Palácio das Artes, que ladeia o Parque Municipal.
Publicado por ACS em 27 Dez 2009 | sob: musica, lugares, pessoas
Em janeiro ocorre o Festival das Montanhas, em Poços. No ano passado, foi um estrondo. Este ano promete. Professores da USP que ajudaram na organização consideram superior – em qualidade e quantidade dos concertos e dos cursos – ao de Campos. Pensando em aproveitar o evento para marcar um Sarau em um dos fins de semana do festival. Aproveitaria para levar alguns músicos de Sampa. E convocaríamos os poçoscaldenses espalhados por aí. Jogo a ideia como sugestão. Se embalar, montamos um Sarauzão juntando o povo do Blog, os órfãos de Poços e os músicos.
Publicado por ACS em 19 Dez 2009 | sob: lugares
Estou tão contente, Sintra está diferente! Do alto dos miradouros, onde já estiveram os mouros, avistam-se luzes por toda a parte, o Natal decorou, a paisagem com arte. No centro da vila, entre travesseiros e queques de gila, passeiam-se netos e avós, casalinhos a sós. Na igreija toca o sino, todos falam de Deus, quando foi menino! Até as flores parecem estar a cantar, os táxis não param de trabalhar. Que sorte tenho em cá estar! Tudo me faz admirar! Passaram agora cavalos e uma carruagem; acenaram-me, os que iam na viagem. Estou tão contente, talvez eloquente! Sinto o espírito do Natal, aqui em Sintra, em Portugal!
Publicado por ACS em 19 Dez 2009 | sob: lugares, futuro
O Banco Mundial e Pequim estão discutindo a construção de fábricas de baixo custo em novas zonas industriais na África, a fim de ajudar o continente a desenvolver uma base industrial e reverter o declínio em sua participação no comércio mundial. Roberto Zoellick, o presidente do Banco Mundial, declarou que Pequim havia demonstrado “forte interesse” pelas propostas de estabelecer bases industriais a fim de ajudar os países africanos a seguir caminhos de alto crescimento, como os dos países da Ásia. “Existe não apenas disposição mas forte interesse entre alguns de nossos contatos na China, e discuti com Chen Deming, o ministro do Comércio, a possibilidade de transferir algumas das instalações manufatureiras de menor valor, como brinquedos ou calçados, para a África subsaariana”, afirmou Zoellick ao “Financial Times”.