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Publicado por ACS em 27 Jun 2010 | sob: futuro, marketing, submundo
Tem corrente de “cala a boca” isto, “cala a boca” aquilo, mas tem corrente pra proibir a propaganda de bebidas alcóolicas? Nunca vi. Acho que a proibição deveria ser apenas uma questão de horário, não gosto de proibições radicais, vai contra o espírito democrático. Propagandas apenas depois da meia-noite indo até as 4h ou 5h da manhã, limitando o efeito do marketing nos mais jovens pelo menos. Quem trabalha com recursos humanos sabe o tamanho do problema social causado pelo álcool. A cada dia que o salário entra na conta as empresas recebem um contingente de pessoas afetadas no outro dia. O aspecto familiar é afetado imediatamente. Cada vez que vejo as propagandas de cervejas na televisão afetando milhões de pessoas nos horários de pico, lembro das correntes de “cala a boca”. Eu também bebo cerveja de vez em quando, não tenho rompantes de moralismo, evito ter, mas me parece que agora tudo é motivo pra beber, beber demais. Ou alguem acredita que as multidões de jovens alienados se juntam em determinados pontos apenas pra torcer para o Brasil, num sentimento patriótico real? Não, as multidões de jovens vão atras de diversão, da bebida que os solta, que os liberta, as camisas amarelas são apenas um motivo entre tantos outros. Da próxima vez que entrarem os flashes ao vivo, reparem nas meninas felizes, nos meninos tontos, na alegria embriagada. Tudo pelo Brasil? Não, tudo pra aumentar as vendas, os lucros, aumentar o market share.
Publicado por ACS em 21 Abr 2010 | sob: politica & economia, futuro, marketing, submundo
Da série ficção, a preferida dos internautas. Começou com um telefonema de um ator consagrado para o diretor do núcleo. Ele estava irado com a peça promocional que foi ao ar na noite de Domingo. Era um institucional de trinta segundos em que ele dizia apenas duas palavras. Mas a montagem induzia o telespectador a acreditar que se tratava, não de uma campanha de aniversário da maior emissora de televisão do país, mas um mosaico grosseiro cujo slogan “a gente faz sempre mais” é uma clara alusão ao do candidato José Serra. E para corroborar com a leviandade, ainda vinha o número quarenta e cinco assinado na peça, ao lado do logotipo. Ao todo, foram quarenta celebridades entre as turmas das produções, humor, shows, esporte e jornalismo. Achei até curioso a manifestação ter partido de um ator e não de um de nós. Afinal, vendemos a eles apenas nossa força de trabalho, não nossas consciências. Será? Nem sei mais… O ator foi duro e franco com o executivo da empresa. Se alguma providência não fosse tomada, ele ia aos jornais dizer que foi vítima de manipulação. Era tudo o que a emissora não queria ouvir nessa altura do campeonato. Ainda que seu candidato pudesse ser o mesmo que o da emissora, ele jamais se sujeitaria a trabalhar naquelas condições. E antes de desligar, avisou: Eu não estou sozinho. O diretor pediu paciência, disse que ia encontrar uma saída. Pensou em quem confiar num momento desses de conflito: talvez um executivo que tivesse bom transito com o jornalismo. Afinal, foi coisa dos herdeiros da Corte do Cosme Velho, incentivados pelo Guardião da Doutrina da Fé, pensou. Assim que amanheceu propôs o encontro ao executivo que considerou ser hábil o bastante para apagar o fogo. Nisso a internet já fervilhava. Pressões vinham de todos os lados, a opinião pública, os patrocinadores, os políticos, os amigos. É preciso convencer a direção de que foi um tiro no pé. Mas como fazer isso? Juntando argumentos. E lá foram os dois tentar convencer os acionistas de que aquilo fora um erro. Os artistas respeitam os interesses comerciais e políticos da emissora, mas consideram que não cabe a eles exercer esse papel institucionalmente. O artista é o vendedor de sonhos e ilusões para todos, não só para um determinado grupo político. Afora os artistas, tem os jornalistas que emprestam sua credibilidade à emissora. Ações assim podem arranhar para sempre esse vínculo com o telespectador. E assim foram as tratativas durante toda a tarde. Ok, mas qual seria a solução? Pensaram em várias. Ao final do encontro triunfou aquela que diz assim: “O texto do filme em comemoração aos 45 anos da Rede Globo foi criado – comprovadamente – em novembro do ano passado, quando não existiam nem candidaturas muito menos slogans. Qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme.” Esta noite não vai ser boa, nem para o Guardião, nem para a Central de Comunicação, e muito menos para o patrão. Nós aqui fora sabemos de tudo! O Povo não é bobo. Fiquem espertos.
Marco Aurélio Mello, em seu blog
PS do Azenha: Com a experiência que tenho em televisão, sei como essas coisas funcionam. O conjunto da obra só fica claro para quem gravou alguns segundos de uma peça ficcional quando ela é apresentada ao público. Duvido que tenha sido a internet a responsável pela decisão da emissora. Atribuo isso, acima de tudo, à reação interna e ao medo de que houvesse protestos públicos de quem se sentiu ludibriado!
Publicado por ACS em 10 Abr 2010 | sob: futuro, pensamentos, marketing, submundo
Pesquisas indicam que o perfil preponderante do jovem brasileiro de hoje é, ao contrário da minha geração, conservador, individualista, distante daqueles que, em meados do século XX, queriam mudar o mundo. Agora, ele se mostra mais preocupado em ter um bom emprego do que motivações ideológicas; menos propenso a riscos e mais apegado à família. A relação com a sociedade é mais virtual que real: fechado em seu quarto, ele nem precisa rezar “venham todos ao meu reino”, pois tudo lhe chega através do telefone, da TV, da internet, do MP3. A cultura consumista a todos nós oferece, em cálice dourado, o elixir da eterna juventude. Os jovens não querem deixar de ser jovens; adultos e idosos insistem em imitar os jovens. E o principal fator de afirmação é a autoimagem, a valorização da estética. O jovem atual não quer se arriscar; anseia por experimentar. Na falta de motivação religiosa, experiência espiritual e ideologia altruísta, tende a buscar na bebida e na droga a alteração de seu estado de consciência. Sem isso não se sente suficientemente relaxado, loquaz, divertido e ousado. É óbvio que a mídia dita padrões de comportamento, hábitos de consumo e paradigmas ideológicos. A diferença é que tudo isso chega ao jovem de tal forma bem embalado em papel brilhante e fita colorida, que ele nem percebe o quanto é vulnerável à ditadura do consumismo.
Publicado por ACS em 01 Mar 2010 | sob: futuro, filmes, cultura, marketing
1. Mobilize pessoas
2. Testemunhe e grave
3. Visualize sua mensagem
4. Amplifique histórias pessoais
5. Adicione humor
6. Investigue e exponha
7. Saiba trabalhar dados complexos
8. Use a inteligência coletiva
9. Permita que as pessoas façam perguntas
10. Administre seus contatos
Publicado por ACS em 17 Jan 2010 | sob: cultura, marketing, submundo
Muito tem se associado a cultura ao entretenimento. Aliás, tem sido comum resumir cultura a entretenimento, como se a cultura fosse passível de ser entendida como um boteco com música ao vivo, uma casa de shows ou a ir “atrás do trio elétrico”, isso sem falar, no campo literário, dos famigerados best-sellers e dos doutores em conceituações simplórias e enviesadas, tão comuns no meio jornalístico. Entretenimento é distração, é diversão, é divertimento, é abobrinha. Cultura é outra coisa. Diversão é, para Antônio Houaiss, “algo que serve para divertir”, mas também, “diversionismo” – aquela manobra de manipulação política que consiste em discutir o que não é importante para ocultar o importante – e, em um uso militar, explica o filólogo, significa uma “ação que tem a finalidade de desviar a atenção do inimigo”. É interessante ligar esses três sentidos e imaginar que o regozijo da diversão pode ser, então, algo extremamente prazeroso, mas não exatamente para mim: se me divirto muito, é possível que alguém esteja se regozijando muito mais com isso. É muito boa a explanação de Michel Maffesoli sobre as divertidas e sensuais tribos urbanas e seu grande corpo coletivo, vivenciado nos shows musicais, nos festivais e nas comunidades simuladas dos bares, na potencialidade revolucionária da orgia e outras idéias barrocas. Muito boa mesmo. Divertida, inclusive. Mas, fica um sabor algo amargo quando é possível observar a forma de vida de quem leva a sério essa idéia de se divertir o tempo todo. Veja-se a cultura underground. Tome-se essa utopia divertida. Eternos jovens protagonistas de frenéticos embalos, animadas e “culturais” discussões entre cervejas, drogas à vontade e sexo fácil, tudo embalado ao som do “velho e bom” rock’n’roll. Jogos de palavras e ornamentos estéticos acabam com a função de ocultar a absoluta impotência política. Isso, sem dúvida, é diversão. Enquanto se “curte” alucinadamente a cultura do sexo, drogas e rock’n’roll, há quem se divirta muito mais. Há quem empresaria os grandes astros que divulgam os modismos culturais. Há quem movimenta os aproximadamente U$ 500 bilhões que circulam no comércio das drogas (e que ninguém venha me dizer que essa grana está nas favelas cariocas). Há quem produza, distribua e venda a bebida alcoólica, notadamente a cerveja, cuja maciça publicidade consegue surpreendente sucesso, mesmo (ou talvez por isso) interpretando seu target como composto apenas de idiotas pândegos e babões. Há quem lucre ao transformar a vida numa triste gargalhada. Infelizmente, porém, essa bazófia não é apanágio apenas de roqueiros, head-banglers (os “batedores de cabeça” do chamado heavy metal) ou punkecas: há também os “pagodeiros mauricinhos”, os cultores daquilo que se convencionou chamar de axé music e outros tantos. Como se diz na linguagem coloquial, todos farinha do mesmo saco. Cultura não é entretenimento. Há uma inevitável angústia na vivência cultural. Mente todo aquele que nega sentir um insuperável incômodo ao contato com qualquer notável produto artístico. Do mesmo modo, não há quem consiga sair ileso de um diálogo no qual uma idéia completamente nova é apresentada. Uma idéia inédita e sagaz é capaz de tornar toda a nossa construção sobre identidade ou “visão de mundo” incomodamente obsoleta e esdrúxula. Até mesmo nossos desejos se tornam empoeiradas peças de museu quando nos defrontamos com o dissenso inteligente. O contato com a cultura é devastador e, definitivamente, não combina com “ficadas”, cervejadas, cocaína e axé music, muito menos com o surrado, repetitivo e nada criativo rock’n’roll. Cultura não é diversão, não promove a mediocridade. Não quer desviar a atenção, não almeja o diversionismo. Isso não significa que a alegria e a festividade não possam compor a vivência cultural. A festa é culturalmente orgástica quando oferece efetivamente uma representação da vitória do brilho contra a escuridão, da sabedoria e do vigor contra a estupidez e a impotência. A cultura não é feita para divertir, mesmo quando é divertida. Quer ir além disso: pretende incomodar, transformar, chamar à responsabilidade de um compromisso com a vida. Assim, o divertimento é o tempero da mensagem, não a mensagem. Talvez o dito que melhor expresse como se dá essa relação nos seja dado pelo poeta russo Maiakovski. Ele escreve, no poema “A Sierguéi Iessiênin”: “Primeiro, é preciso transformar a vida, para cantá-la em seguida”. É por isso que na fábula da formiga e da cigarra, a formiga tem inobscurecível razão. E é por isso, também, que entender cultura como entretenimento é sinal de inescrutável burrice ou de insanável má-fé.
Publicado por ACS em 21 Nov 2009 | sob: pessoas, cultura, marketing
A estudante de arquitetura Bruna Padilha, 20 anos, tem mais de 30 pares de sapatos e gavetas repletas de roupas. Não satisfeita, frequenta o Shopping Recife toda semana a procura de bazares e liquidações, pois, precisa disso, para sentir-se feliz. Assim como Bruna, tantas outras pessoas vivem da mesma forma, consomem para se sentirem felizes ou fazerem parte de determinada camada social. Os aspectos como a qualidade, boa modelagem e durabilidade são os mais lembrados na hora da compra. Porém, o valor simbólico, que são as mensagens que as pessoas querem transmitir, como por exemplo, o uso de um bem de consumo de marca reconhecida no mercado, interfere diretamente nesse processo. Nessa perspectiva, a publicidade representa uma das ferramentas do sistema capitalista mais bem sucedida da sociedade de consumo, uma vez que, se apresenta como expressão dinâmica da modernidade. O discurso publicitário, através da sua incessante busca pela novidade, leva os indivíduos, muitas vezes, a acreditarem naquilo que está sendo dito e a buscarem todo o prazer proporcionado pelo consumo daquilo que se anuncia. Se for um carro, por exemplo, que se propõe a vender, a publicidade irá argumentar que o sujeito será invejado por seus colegas, terá várias mulheres ao seu redor, é uma pessoa realizada pessoal e profissionalmente, tem estabilidade econômica, entre outros aspectos. Ou seja, irá buscar o anseio e o desejo do indivíduo no seu entorno sociocultural e agregar a compra do bem material ao valor de “status”, aprovação social, felicidade ou outro qualquer. “Além do mais, a sinergia da publicidade com as indústrias de comunicação, influencia decisivamente na orientação das práticas de consumo, nos estilos de vida e na identificação dos indivíduos com certos produtos”, explicita a publicitária Lívia Valença da Silva, que também é mestra em sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco e professora da Faculdade Mauricio de Nassau. Diante dos fluxos de novidades no mercado e da re-significação constante a que os bens de consumo estão submetidos, o discurso publicitário que está presente em todos os níveis sociais, tornou-se responsável pela especialização do consumo, através dos quais os indivíduos encontram elementos para executar estratégias de aparência. A estudante de Moda e consumista assumida, Juliana Martins, 21 anos, por exemplo, diz que: “Consumir e arte são formas de expressão, de exteriorizar nossa personalidade. A partir disso, fazemos uso de recursos que tanto nos diferenciam da massa, quanto nos aproxima de algum grupo”.
Publicado por ACS em 02 Nov 2009 | sob: marketing
O marketing, até hoje, vem sendo construído na noção de dizer coisas às pessoas, ao invés de fazer coisas para as pessoas. O bom marketing será, cada vez mais, sobre o que você faz, não sobre o que você diz. E isso significa que, ao invés de ser um silo dentro do negócio, o marketing precisa ser uma filosofia de toda a organização.
Gareth Kay, Diretor de Planejamento Digital da Goodby, Silverstein & Partners | CHMKT
Publicado por ACS em 10 Out 2009 | sob: marketing
Achei fantástica a proposta que levou o Rio de Janeiro a sediar os Jogos Olímpicos. Foi um verdadeiro case de sucesso, que deve ser visto e revisto pelos profissionais de marketing e comunicação – principalmente de planejamento e estratégia. Na minha opinião, o Brasil venceu graças à forma como apresentou seu produto. Foi a junção de uma estratégia poderosa, com uma execução fantástica.
Depois de assistir várias vezes ao discurso do presidente Lula, ver o vídeo da proposta e ler bastante sobre o tema, resolvi levantar alguns pontos que, ao meu ver, foram fundamentais para essa vitória. Vamos lá:
1 - O discurso do presidente deixou claro que o Brasil estava ajudando o COI a superar seu grande desafio: universalizar as Olimpíadas pra valer. Para sediar um evento que “pertence a todos os povos”, nada melhor que um país que fica em um continente que nunca teve uma sede olímpica, em um país que mistura raças e religiões e gosta disso.
2 – O Rio foi posicionado como um lugar que está pronto e preparado para sediar os jogos. Bastava apenas o COI dar a chance. O pedido não foi por votos, mas pela oportunidade.
3 – O Brasil é uma “ilha de prosperidade” no cenário econômico atual. É o país que sobreviveu à crise. É o país do momento. Isso ficou muito bem embasado quando o presidente fala sobre o G20 e o novo mapa econômico mundial.
4 – Além da paixão e de toda a emoção expressas no discurso, a proposta deixou claro que essa seria uma oportunidade que envolveria todo um país – ao contrário de outros candidatos que tinham parte da população contra a proposta e que o impacto seria apenas para a cidade. Além disso, o discurso ressaltou bastante que seria a grande chance do Brasil, ao contrário das outras cidades, que já estão acostumadas a eventos desse porte.
5– A beleza inigualável do Rio conseguiu ser reproduzida no vídeo institucional. Custou um pouco mais contratar um diretor do cacife do Fernando Meirelles e investir na produção, mas o resultado se deve muito à forma como o produto foi mostrado aí.