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Publicado por ACS em 13 Mar 2010 | sob: pessoas
O Glauco e eu fomos companheiros de boteco, no extinto Pirandello e no meu próprio, anexo do sebo que tive na Fradique Coutinho no início dos anos 80. Paqueramos a mesma moça jornalista, que nunca nos deu bola porque meio que namorava o chefe dela, o Ricardão. Depois paqueramos a mesma moça atriz, com a qual o Glauco empregou a geraldianíssima cantada de levantar-se da mesa de onde revirávamos os olhos pra ela, ir até a mesa da moça e perguntar-lhe: “Há possibilidade de séquisso?”. Esteve comigo na maternidade a noite toda quando nasceu o meu primeiro filho, em 1983. Depois, saí de São Paulo e, mais depois, do Brasil, e perdemos o contato quase diário. Vimo-nos algumas vezes, sempre comemoradas e bebemoradas, mas a última foi há mais de cinco anos. Ultimamente, tinha-se rendido um pouco à sem-gracice das piadinhas políticas de ocasião encomendadas, algumas de caráter claramente antidemocrático. Mas eu também deixo passar no meu trabalho um monte de cacas para não desagradar os clientes, de modo que quem sou eu para criticá-lo? Aqui, do fundo do fim do mundo, este ateu que vos escreve deseja ardentemente que ele pudesse estar agora em algum céu, com o Raoni, e sem a obrigação de agradar ninguém, nunca mais.
Publicado por ACS em 13 Mar 2010 | sob: pessoas
Na noite de ontem, em meu quarto de hotel, minha mente se perdeu com a visão dos Andes bolivianos. Comecei a pensar no futuro e senti angústia ao imaginar que minha Victoria cresce enquanto envelheço. Temi deixá-la, ainda que minha mulher, meus outros filhos e minha neta certamente zelariam por ela se eu faltasse. Precisava tirar aquilo da cabeça, mas não conseguia. Sentei-me diante do computador para escrever um post, mas minha mente estava vazia e os pensamentos, desconexos. Então abri o Twitter e comecei a escrever o que vinha à cabeça. Meti-me numa escaramuça com trolls e até com o blogueiro do Serra Ricardo Noblat, que se irritou com um twit que escrevi criticando-o e me xingou. Em vez de me provocarem raiva, os trolls e o blogueiro da Globo fizeram com que sentisse que não estava só. Então comecei a escrever sobre tudo, não só sobre política. Escrevia o que vinha à cabeça na esperança de atrair companhia. Os trolls desistiram e o Noblat optou por não me dar corda, pois os militantes do PIG não ousam debater publicamente. Então começaram a vir os amigos que me “seguem”. Conversamos sobre amenidades, sobre política, enfim, passei horas “twittando” e, de repente, não havia mais solidão. Estava entre amigos. Estava no Brasil. Agradeço a todos os “twitteiros” que me fizeram companhia e tornaram agradável uma noite que prometia ser triste, fria e solitária. Eu que nunca gostei muito do Twitter, descobri que, para mim, tem e terá uma grande utilidade. Será um grande remédio para novos surtos de solidão.
PS: meu Twitter é @eduguim
Publicado por ACS em 13 Mar 2010 | sob: politica & economia, futuro, jornalismo, pessoas
O resultado do PIB em 2009 (-0,2%) foi consequência, entre outros fatores, de uma campanha contra o Brasil feita por parte da mídia, afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos. Ele criticou também empresários e sindicalistas por terem “aderido” a essa campanha, contribuindo para reduzir a atividade econômica no pior momento da crise, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedia que as pessoas continuassem consumindo. Ele citou os presidentes da Fiesp, Paulo Skaf, da Força Sindical, Paulo Pereira da Siva, o Paulinho, e da Vale, Roger Agnelli. O primeiro por ter defendido acordos que incluíam redução de jornada e salários, o segundo por ter afirmado que a crise provocaria 3 milhões de desempregados e o último por ter defendido, no final de 2008, uma “flexibilização temporária” da legislação trabalhista. “Ele (Agnelli) foi oportunista. Estava se aproveitando da crise para fazer ajustes em sua empresa”, disse Artur, que considerou também “absurda” a previsão feita por Paulinho. “De onde ele tirou esse número (3 milhões)?”, questiona. Em 2009, segundo os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o Brasil criou 995 mil empregos formais.
Publicado por ACS em 10 Mar 2010 | sob: futuro, jornalismo, pensamentos, pessoas
“As empresas jovens nao estao perdendo nem um nanosegundo com o iPad ou pensando em como cobrar pelo conteúdo. Sao as empresas mais velhas, elas é que estao pensando nisso”. A análise é de Marc Andreessen numa conversa com o TechCrunch. Quando quem está falando é o co-criador do Mosaic (primeiro browser), fundador da Netscape e investidor em projetos como Digg, Ning e Twitter, a gente pára e presta atençao. Andreessen diz que as empresas de comunicaçao nao tem aptidao para a tecnologia, mas precisam aprender rapidamente uma liçao a partir da experiência de quem está nesse segmento - lidar com a mudança constante. E mais - quem está no negócio da comunicaçao, mesmo que nao queira, está também na área da tecnologia, porque seus produtos estao sendo consumidos em formato digital. Segundo Andreessen, jornais e revistas que cobrarem pelo acesso ao conteúdo digital nao vao chegar aonde o público está - porque ele está na web aberta, gratuita. Radical, Andreessen propoe - “Queimem os navios”. É uma referência à lenda sobre a chegada de Hernán Cortés ao Mexico. O conquistador espanhol teria mandado queimar as embarcaçoes nas quais tinha viajado para que nao fosse possivel voltar. Para jornais e revistas, os barcos sao as operaçoes impressas. Elas deveriam ser fechadas e as empresas deveriam abraçar a internet de coraçao aberto. “Precisa queimar os navios, precisa se comprometer (com o futuro)”, porque se a mídia tradicional nao queimar seus próprios navios, outros vao fazer isso - avisa Andreessen.
Publicado por ACS em 06 Mar 2010 | sob: politica & economia, futuro, pessoas
O empresário Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, maior rede varejista do país, se declarou na quinta-feira um verdadeiro cabo eleitoral da pré-candidata do PT à Presidência da República, a ministra Dilma Rousseff. Na apresentação do novo presidente da empresa, Enéas Pestana, Diniz defendeu Dilma e disse que ela tem “todas as condições” de levar adiante o “legado” que será deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É o legado do crescimento, da geração do emprego e da distribuição de renda. Este é o legado que ele (Lula) deixa. Tenho uma profunda admiração por este homem” – disse Diniz, negando que os elogios sejam uma declaração de voto na ministra.
Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia, pessoas
Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia, pessoas
É do conhecimento até do mundo mineral que Fernando Henrique é vaidoso. Mesmo os amigos mais chegados lhe apontam o pecado desde os tempos em que iam às calçadas paulistanas na noite da corrida de São Silvestre para torcer pelo tcheco Emil Zatopek, a “locomotiva humana”, por enxergar nele o perfeito representante do império soviético. Pecado capital, a vaidade, segundo os católicos. Se esse aspecto da personalidade do ex-presidente não passa despercebido aos olhos do Pão de Açúcar e da Pedra do Baú, imaginem o que se dá com Lula, um expert em FHC. As mais recentes reações do príncipe dos sociólogos às comparações promovidas na área petista entre seu governo e o de Lula servem somente para demonstrar que FHC é pecador contumaz, de sorte a alegrar seus adversários e, assim me parece, inquietar José Serra. Se a vaidade de FHC se estabelece, Lula vence, pois é exatamente a vitória que procura. O presidente montou o ardil, o ex-presidente caiu na esparrela. Adaptou-se ao esquema do plebiscito convocado peremptoriamente pelo atual titular sem perceber o erro pueril que estava a cometer. Vanitas vanitatum, diriam os antigos romanos.
Publicado por ACS em 31 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas
Sergio Guerra é aquele senador (eleito por Pernambuco) que recebeu do presidente Lula a alcunha carinhosa de “babaca”. Guerra preside o PSDB. Partido que já teve entre seus líderes gente como Mario Covas e Franco Montoro. Podia-se discordar dos dois, mas era difícil achar quem os chamasse de “babacas”. Numa entrevista desastrada à revista “Veja”, Guerra disse que os tucanos vão acabar com o PAC se ganharem a eleição. Ele disse. É fato. Dilma o criticou por isso. Crítica política. Em resposta, o grande líder tucano chamou Dilma de mentirosa, entre outros impropérios. Como recompensa, ganhou de Lula o apelido carinhoso de “babaca”. O adjetivo talvez devesse ser outro. É o que concluo ao ler esse artigo, no blog do Nassif. Guerra, aquele que disse à “Veja” querer acabar com o PAC, usa em seu site pessoal as obras do PAC para faturar politicamente. Tira umas “lasquinha” das obras federais. Ele é contra o PAC, mas só para agradar os leitores da “veja” - entenderam? Fico a pensar: quem seria o “babaca” nessa história? Estaria o garboso líder tucano a imaginar que “babacas” podem ser os eleitores que o conduziram ao Senado? Não sei… Temo pelo futuro político de Sergio Guerra. Pesquisa Vox Populi acaba de mostrar que, em Pernambuco, Dilma disparou, passou Serra, e lidera com folga as pesquisas. É o que leio no blog do Eduardo Guimarães. Eduardo Campos - com apoio de Lula e do PT- deve se reeleger para o governo de Pernambuco, com um pé nas costas. E as duas vagas de senador também devem ficar com gente da base lulista. Sergio Guerra, avisam-me leitores pernambucanos, faria melhor se concorresse à vereança em 2012. Teria alguma chance, desde que parasse com essa “babaquice” de acabar com o PAC. Não pega bem para um vereador, ainda que tucano.
Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro, pessoas
Eu ouvi uma fala dele (Merval Pereira) na CBN (a rádio que troca a notícia) com certeza o mesmo conteúdo da coluna (O Globo), mas, pra mim quem se superou foi a Lucía Hipócrita, ops, Hipólito. Ela garantiu que de jeito nenhum, de forma alguma, a oposição quer acabar com o PAC, como disse a ministra, oras, mesmo que o Guerra (faça humor não faça guerra) tenha dito claramente, segundo a Hipólito, não foi esse o sentido, (ela agora é porta-voz dos sentidos implícitos) já que todo político adora obra, então ele não disse o que disse e está acabado. Na verdade eu achei tão explícita a opinião dela como PSDBista, que não pode passar impune que num espaço de concessão o ouvinte não tenha acesso ao antitético. A pergunta que não pode calar é se uma concessão pode ser objeto de partidarização?
Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas, arte, submundo
Evidente! Dizer que não existe luta ideológica é conversa fiada. Agora, “tudo é mercado”. É muito ruim, hein! Se fosse assim, bastava você pagar para ter publicado na grande imprensa qualquer conteúdo. Mas não é assim que a banda toca. Em 1999 eu queria fazer uns outdoors de uma exposição de charges sobre violência policial, com o título “A Polícia Mata”. Eu tinha o dinheiro, mas a empresa de outdoor se recusou. “Ué, mas não é o mercado? Não tinha o dinheiro?” Essas censuras são permanentes, continuam. Não é oficial, como na época da ditadura, mas agora você tem a censura do mercado, que é baseada também em questões ideológicas. Eu lembro que a CUT tinha um esquema para montar uma emissora de televisão, com estúdio, tudo pronto, mas não conseguia a concessão. Como é que se dá concessão de rádio e TV? É uma questão mercadológica? Nada disso, é uma questão essencialmente ideológica. Mas tem sempre esses arautos do mercado, do liberalismo dizendo: “Não, caiu o muro, agora não tem mais esquerda e direita”. Aqui que não tem! Neguinho bate no Chavez 24 horas! É uníssono. Não é possível que num país enorme como o Brasil, de norte a sul, todas as emissoras só batam no Chavez. Não pode haver essa unanimidade, tem de ter um contraponto. Até nos EUA, que são aquele monte de reaça, você tem contraponto. Sobre a guerra do Iraque, sobre a questão palestina, em Israel você tem o contraponto.
Carlos Latuff
André M. de Oliveira | Overmundo
Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: futuro, pessoas, submundo
Poucos devem saber que o inventor do rádio foi um padre brasileiro, cientista e inventor de protótipos da televisão, aparelhos de telefone e telégrafo sem fio. Para reconhecer o trabalho do padre Roberto Landell de Moura, que fez a primeira transmissão pública da voz humana por ondas eletromagnéticas, jornalistas e outros profissionais lançaram o Movimento Landell de Moura (MLM) (http://www.mlm.landelldemoura.qsl.br/ ). Na memória de muitos, o pai do rádio foi o italiano Guglielmo Marconi. Na realidade, Landell fez sua transmissão muito antes de Marconi, do croata naturalizado norte americano Nikola Tesla e do canadense Reginald Aubrey Fessenden, reconhecidos por suas invenções. O primeiro a dar o “furo” da criação de Landell, foi o jornal O Estado de S. Paulo, que apesar de anunciar a data da transmissão, 16 de julho de 1899, não cobriu o evento. Poucos meses após outra demonstração pública de seu invento, realizada na avenida Paulista e no Morro de Santana, Landell patenteou a criação, em março de 1901. A demonstração do invento foi publicada pelo Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro. Na época, o padre gaúcho foi reconhecido até mesmo pela imprensa estrangeira, no jornal New York Herald, que em 12 de outubro de 1902, publicou uma reportagem sobre as experiências de Landell. Mesmo com sua invenção para o mundo das comunicações, o cientista não foi entendido. “As pessoas não compreenderam o que ele fez, não se interessaram em patrocinar, além do fato de ele ser um padre cientista, o que não era comum”, conta o jornalista e escritor Hamilton Almeida, que estuda há mais de 30 anos a vida de Landell de Moura.
Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas
O jornal nacional desta sexta-feira admitiu que, mesmo com chuva fraca, São Paulo é o caos. (Esqueceu de dizer que, mesmo SEM chuva, São Paulo é o caos.) Uma reportagem chamou a atenção. Foi de César Menezes, que revestiu de “informação” toda a ideologia da elite paulista e, portanto, a ideologia de Zé Alagão. A culpa é dos pobres. Primeiro, porque os pobres não recolhem o lixo. Como se houvesse coleta de lixo em São Paulo. O que o César quer? Que o pobre cultive ratos em casa? Se a coleta não chega ou se nunca se sabe quando chegará, o que fazer: botar o lixo na rua, caro Watson. Outra observação interessante o repórter do jornal nacional: o pobre de São Paulo tem a mania de morar em barranco. Inacreditável. Podia morar no Morumbi, nos Jardins e na Vila Nova Conceição, mas não: pobre é assim mesmo. Vai morar na periferia em área de risco. E por que o Zé Alagão não foi lá e retirou o pobre, mandou para um CDHU e financiou a compra da casa própria com o dinheiro que gasta em publicidade? O que faz o Zé Alagão que não limpa o rio Tietê? O que faz o Zé Alagão que não constrói piscinões? Mas, sabe como é: o jornal nacional e alguns de seus bravos repórteres serão o último reduto da resistência tucana.
Publicado por ACS em 19 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro, pessoas
A classe média que ficou fora é aquela que baba de raiva nas “correntes da internet”, e nas ruas e bares paulistanos, cariocas e gaúchos. Essa classe média não suporta olhar para a cara de Lula, o “nordestino dos 4 dedos”. E o grande empresariado? Esse vota com o bolso. Pensei em tudo isso ao ler o artigo de Emilio Odebrecht, que me foi enviado por uma boa amiga jornalista, dessas que trabalham na “grande imprensa”, mas sabe muito bem que não é “sócia” dos patrões (nem nos lucros, nem no pensamento). O artigo do Odebrecht expressa a perplexidade de um grande empresário diante de uma imprensa que caiu no gueto. Uma imprensa que fala (só) para essa classe média raivosa que parece não gostar do Brasil, uma imprensa que não reconhece os avanços do país. O artigo de Odebrecht (a quem conheço só de nome) é o símbolo dessa estranha (mas efetiva) aliança lulista: “classe trabalhadora organizada”, “povão desorganizado” e “grandes capitalistas”. Quem está fora da “grande coalizão” é a classe média, associada aos ruralistas e aos donos da mídia. Essa base votará em Serra aconteça o que acontecer. O nó para Serra é: como atrair parte dos lulistas sem desagradar à direita que baba na gravata? Isso é problema do Serra. 21 anos depois daquela eleição (vencida por Collor, no fim das contas), a gente não poderia mais organizar “bota-fora” pro presidente da FIESP e pros grandes empresários. Em 89 era tudo mais divertido. Mas, em 2010, temos um país mais sólido. Apesar dessa turma que baba na gravata de tanta raiva. Pra espanto seu, meu. Pra espanto, também, do Emílio Odebrecht.
Publicado por ACS em 10 Jan 2010 | sob: pensamentos, pessoas
Passei dez dias de pernas pro ar, na praia. Com a família e alguns bons amigos. Levei laptop. Mas a “lanhouse” mais próxima ficava a alguns quilômetros. Achei ótimo, confesso. Peço desculpas por ter deixado o blog sem atualização durante tantos dias. Mas eu precisava recarregar as baterias. Só não descansei mais porque meu filho Francisco não deixou. Deu seus primeiros passos na praia, comeu areia e bebeu água do mar - pra desespero da mãe… Achei maravilhoso vê-lo solto, a descobrir o mundo. Meus dias se passaram assim: protetor solar no Francisco, um mergulho no mar, papo furado de frente para o Altântico. Quando sobrava tempo, eu me debruçava sobre “A Última Estação”, de Jay Parini. Trata-se de um romance - baseado em fatos reais - que reconstitui os (traumáticos) últimos meses de vida do gigantesco Leon Tolstói. Leitura comovente. Bem, pra dizer a verdade, por telefone eu soube - sim - da grosseria (?) do Boris Kasoy com os garis, e da “crise militar”. Tive aquela coceirinha de ir até a “lanhouse” (que ficava duas praias para o sul) e escrever. Mas olhei bem para o mar, botei mais gelo no uísque, e permaneci onde estava. Agora, passado o Ano Novo, encontro minha caixa de mensagens eletrônicas (pela caixa convencional do Correio só chegaram - claro - contas e extratos bancários) abarrotada de textos sobre Boris e sobre os milicos à beira de um ataque de nervos. Não sei por que, mas os dois eventos me parecem partes de um mesmo Brasil do passado, um Brasil que se recusa a passar. Nesses últimos dias, observando o mundo da varanda a poucos passos da areia, longe das redações e da internet, notei mais uma vez como como a “pauta” que mobiliza jornalistas, articulistas e blogueiros é diferente dos assuntos que emocionam os “outros” cidadãos - aqueles que simplesmente tocam suas vidas… Acho que é a mesma distância que separa Boris dos garis. O nobre Tolstói valorizava os homens simples. Achava que do mujique (camponês) russo vinha a verdadeira sabedoria. Boris (que tem ascendência russa) pelo visto segue outra linha. Juro que senti mais pena do que raiva do Boris. Acho que os dias na praia amoleceram meu coração… Senti pena e constrangimento por ver um velho jornalista -que viveu tanto e parece não ter aprendido muito. Paciência. Espero aprender um pouquinho mais com o passar dos anos. Lá na beira da praia, a história trágica dos desmoronamentos de Angra e Ilha Grande mobiliza muito mais as pessoas do que qualquer debate sobre garis, militares e “revanchismo”. Aliás, não digo novidade nenhuma. É o óbvio ululante. Mas é bom prestar atenção a isso para que não nos afastemos da realidade das ruas e das praias. Por mais contraditório que possa parecer, nesses dez dias longe da internet e das notícias - conversando com o sorveteiro, o vendedor de redes e a moça do empório - não me senti isolado do mundo. Pelo contrário. Senti-me mais próximo de um mundo a que damos pouca atenção nos dias comuns e agitados da cidade grande. Espero não me esquecer disso ao longo de 2010. A vida é feita de batalhas. E orgulho-me de não fugir delas. Mas a vida é mais. Além de disposição para os bons combates - que certamente virão em 2010 - espero ter um pouquinho da sabedoria de Tolstói e da inocência do meu Francisco, durante o ano que começa. Assim, a vida fica mais saborosa. Mesmo agora, que já estou longe do mar e perto do asfalto. Bom 2010 a todos!
Publicado por ACS em 10 Jan 2010 | sob: futuro, pensamentos, pessoas
Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século 20, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica entre capitalismo e comunismo nas relações internacionais. Diante desse cenário, o sociólogo francês Edgar Morin, hoje com 87 anos, percebeu que a maior urgência no campo das idéias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. No lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, Morin propõe o conceito de complexidade. Ela é a idéia-chave de O Método, a obra principal do sociólogo, que se compõe de seis volumes, publicados a partir de 1977. A palavra é tomada em seu sentido etimológico latino, “aquilo que é tecido em conjunto”. O pensamento complexo, segundo Morin, tem como fundamento formulações surgidas no campo das ciências exatas e naturais, como as teorias da informação e dos sistemas e a cibernética, que evidenciaram a necessidade de superar as fronteiras entre as disciplinas. “Ele considera a incerteza e as contradições como parte da vida e da condição humana e, ao mesmo tempo, sugere a solidariedade e a ética como caminho para a religação dos seres e dos saberes”, diz Izabel Cristina Petraglia, professora do Centro Universitário Nove de Julho, em São Paulo.
Para o pensador, os saberes tradicionais foram submetidos a um processo reducionista que acarretou a perda das noções de multiplicidade e diversidade. A simplificação, de acordo com Morin, está a serviço de uma falsa racionalidade, que passa por cima da desordem e das contradições existentes em todos os fenômenos e nas relações entre eles. O início do século 20 foi marcado por duas revoluções científicas: a teoria da relatividade de Albert Einstein (1858-1947) e a mêcanica quântica de Max Planck (1879-1955). Ambas obrigaram a humanidade a rever doutrinas e tiveram aplicações nas mais diversas áreas, da filosofia à indústria bélica. A teoria quântica, por exemplo, derrubou certezas da Física e as substituiu pela noção de probabilidade. A relatividade pôs em questão os conceitos de espaço e tempo. Para completar, na termodinâmica, Niels Bohr (1885-1962) chegou à necessidade de tratar as partículas físicas tanto como corpúsculos quanto como ondas. Quando tudo parecia incerto e relativo, a teoria do caos, já na segunda metade do século, veio, de certa forma, na direção oposta, ao demonstrar que também nos sistemas caóticos existe ordem. Essas e outras reformulações do conhecimento humano levaram Morin a definir sete “princípios-guia” da complexidade, interdependentes e complementares. São eles os princípios sistêmico (o todo é mais do que a soma das partes), hologramático (o todo está em cada parte), do ciclo retroativo (a causa age sobre o efeito e vice-versa), do ciclo recorrente (produtos também originam aquilo que os produz), da auto-eco-organização (o homem se recria em trocas com o ambiente), dialógico (associação de noções contraditórias) e de reintrodução do conhecido em todo conhecimento. Para recuperar a complexidade da vida nas ciências e nas atividades humanas, Morin recomenda um pensamento crítico sobre o próprio pensar e seus métodos, o que implica sempre voltar ao começo. Não se trata de círculo vicioso, mas de um procedimento em espiral, que amplia o conhecimento a cada retorno e, assim, se coaduna com o fato de o homem ser sempre incompleto – o aprendizado é para toda a vida. “A reforma do pensamento pressupõe a consciência de si e do mundo”, diz Izabel Cristina. “Ela decorre da reforma das instituições e vice-versa.” Nos processos em espiral, é necessário conhecer os conceitos de ordem, desordem e organização. Do ponto de vista da complexidade, ordem e desordem convivem nos sistemas. O que diferencia o todo da soma das partes é o que Morin denomina comportamento emergente. Nos seres humanos, a dinâmica entre ordem e desordem se subordina à idéia de auto-eco-organização: a transformação extrapola o indivíduo, se estendendo ao ambiente circundante. Uma vez que tudo está interligado, a solidariedade é tida pelo sociólogo como peça fundamental para superar aquilo que denomina crise planetária – uma situação de impotência diante de incertezas que se acumulam.
Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: lugares, pessoas
Algo no Rio Grande do Sul lembra-me o Uruguai. O que é apenas óbvio, dada a proximidade geográfica entre os dois. Mas quem já esteve em Montevidéu e Porto Alegre vai certamente entender o que estou dizendo… Falo sobre isso porque desde ontem estou no interior do Rio Grande do Sul, a trabalho pela TV Record, por conta das chuvas que fizeram desabar uma ponte sobre o rio Jacuí, no município de Agudo. Hoje, passei algumas horas em Agudo, e o Uruguai voltou-me de novo à cabeça. Há pouco mais de um ano, tive o prazer de visitar Colônia do Sacramento, à beira do rio da Prata. Evidentemente, a uruguaia Colônia tem mais história (e mais atrações turísticas e arquitetônicas) do que a pequena Agudo (que, agora, ainda ficou sem sua ponte). Mas Agudo, na hora do almoço, lembrou-me Colônia. A cidade para. Parece dormir uma siesta preguiçosa. O comércio (em parte) fecha. As ruas ficam ainda mais vazias. A gente quase escuta o silêncio, só interrompido por um ou outro carro que passa devagar, sobre o calçamento de pedra na rua principal. Achei muito saboroso encontrar no Brasil uma cidade com disposição pra parar pro almoço! Mas o mais saboroso ainda estava por vir. Meu objetivo era entrevistar Márcio Nunes, jornalista da “Rádio Agudo” (pequena estação local), que narrou ao vivo o momento em que a ponte desabou na última terça-feira. Pois bem. Fui procurar o Márcio no estúdio da “Rádio Agudo”. Fica no térreo de um pequeno prédio, no centro da cidade. Os andares de cima são ocupados por apartamentos residenciais. Quando cheguei ao estúdio era meio-dia e quinze. Dei com a cara na porta. Na entrada havia um aviso de que entre 12h e 13h30 não havia “atendimento ao público”. Claro, a redação da rádio também para pro almoço no interior do Rio Grande do Sul. Mas encostei o ouvido à porta e percebi que havia gente lá dentro. Toquei a campainha, e lá veio um simpático rapaz a atender. André, operador de aúdio, botava a rádio no ar naquela hora. Sim! O povo vai almoçar, mas o André fica por lá. E ele achou tempo pra vir abrir a porta correndo. No estúdio, havia mais um herói da informação: Luiz Henrique, locutor. O Márcio (que eu queria entrevistar) não estava. Mas fiquei a observar André e Luiz Henrique a trabalhar. O Luiz Henrique lia os “avisos e notas”. Na hora do almoço, a rádio presta esse serviço à população. Há notas de falecimento, há notícia sobre a dona fulana, que “segue hospitalizada, mas deve retornar pra casa nos próximos dias”. Lá pelas tantas, o locutor Luiz Henrique surpreendeu-me: “agora, um aviso de desaparecimento; seu fulano, morador da comunidade X, avisa que perdeu uma novilha no campo”. Achei o máximo! Pensei se essa não é a verdadeira “comunicação social”. A rádio fala pro povo simples do interior, que na hora do almoço quer saber quem morreu, quem foi hospitalizado, quem perdeu suas novilhas pelo campo. O Luiz Henrique e o operador de áudio André cumprem sua tarefa com humildade e dedicação. Talvez sonhem em trabalhar na capital gaúcha, no Rio ou em São Paulo. É natural que tenham o sonho de olhar pra longe. Ou, talvez, não. Por que a rádio de Agudo é menos importante do que a Guaíba de Porto Alegre ou a Tupi no Rio? É bonito ver gente a se comunicar com seu povo, sem afetação, sem pretensão, cumprindo o papel de intermediário da notícia. Verdade que nesses dias a “Rádio Agudo” anda agitada, porque a toda hora o locutor precisava interromper os “avisos e notas” para atualizar as informações sobre os desaparecidos no trágico acidente da ponte que ruiu no rio Jacuí. Juro que fiquei com uma vontade danada de trabalhar numa rádio dessas. Imagino que o salário não seja uma beleza, sei que deve ser perturbador ficar dias e dias lendo anúncios fúnebres e notas sobre a eleição da nova diretoria da associação comunitária. Mas invejei o trabalho do Luiz Henrique e do André. Lembrei da minha adolescência, quando decidi ser jornalista. E foi o rádio que me fisgou primeiro. Minha mãe ouvia muito rádio em casa. Eu passei a ouvir, especialmente programas esportivos. Até hoje, adoro ouvir papo furado de locutor de esportes. Gosto do Milton Neves. Já disse isso a ele, por e-mail. Era fã da equipe que o Milton comandava na antiga “Jovem Pan” de São Paulo. Muito jornalista metido a intelectual não gosta do Milton. Ele é tido como “cafona”. Não estou nem aí. Gosto do jeitão simples dele. É a cara do rádio. Quando tinha uns 11 ou 12 anos, meu irmão e eu chegamos a criar uma rádio fictícia, só pra transmitir nossos jogos de futebol de botão. A rádio tinha locutor, repórter, chefe do plantão, comentarista. E tinha até vinheta e comercial. Com o tempo, as transmissões fictícias ficaram tão importantes quanto os clássicos que disputávamos no futebol de mesa. Clássicos que muitas veses terminavam com viradas (literais) de mesa - quando meu irmão ou eu não aceitávamos alguma decisão da “arbitragem”. Aí, nossa rádio saía do ar e o pau comia. He, he. Desconfio que virei jornalista porque queria narrar futebol no rádio. Queria falar no microfone do rádio. Até hoje, não realizei o sonho. Já trabalhei em jornal, TV, fiz freela pra revista. Mas rádio, nunca! Talvez por isso também eu tenha invejado um pouquinho a turma da ” Rádio Agudo”. Era assim, com a simplicidade deles, que eu sonhava fazer jornalismo. Um dia ainda arranjo emprego numa rádio, nem que seja pra dar os resultados do futebol, no meio da madrugada. Ou pra anunciar desaparecimento de novilha nos campos gaúchos. Uma tragédia me trouxe ao sul. Mas acabo aqui falando sobre rádio e lembranças da infância. Ando meio sentimental esses dias. Deve ser o começo do ano…
Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro, pessoas
O cientista político Paulo Sério Pinheiro, que atua desde 1995 como relator da Organização das Nações Unidas (ONU) na área de direitos humanos, considera infundadas as críticas à abrangência do Programa Nacional de Direitos Humanos. Segundo suas explicações, o decreto com o qual o presidente da República instituiu o programa segue rigorosamente as concepções internacionais sobre o tema, acertadas em Viena, no ano de 1993. “Não foi o presidente Lula quem inventou isso”, diz ele. “Essa é a terceira edição do programa. Os dois anteriores, lançados em 1996 e em 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, tinham a mesma abrangência do programa que está sendo debatido agora. E tanto Lula quanto Fernando Henrique acertaram, porque direitos humanos não abarcam apenas direitos civis e políticos, como se imagina. Eles abrangem também questões como a fome, o racismo, gênero, distribuição de renda, salário, acesso à cultura, proteção das crianças contra a violência e muitas outras coisas.” Ainda segundo o especialista, esse conceito amplo vem sendo adotado internacionalmente há décadas. O Brasil, no entanto, só começou a ratificar acordos nessa linha a partir de 1992. “Não se fez antes porque a ditadura não aceitava”, afirma.
Estadao | Roldao Arruda | Luis Nassif
De seu patíbulo, William Waack abriu o jornal da globo de ontem com um editorial que amigo navegante chama de “grotesco”. Foi sobre os direitos humanos e sobre quem vai controlar os direitos humanos. Em resumo, Waack agrediu o bom senso e a razão, a pretexto de criticar o programa de Direitos Humanos que o Governo Lula pretende por em prática. Tudo com aquele semblante de assustar múmia. O “xis” da questão ficou à mostra na reportagem do jornal da globo que sustentou aquele “momento Boris Casoy” do William Waack. A reportagem cita a senadora Kátia Abreu, que acusa o programa do do Lula de ser contra a terra. Leia neste blog sobre o que um pequeno proprietário rural de Tocantins conta da nobre senadora – ela compra terras no grito e não planta nada. A reportagem do Waack também ouve o senador tucano Tasso “tenho jatinho porque posso”, que considera o programa de Direitos Humanos do Lula uma ofensa à liberdade. O ponto alto da reportagem é uma declaração do pseudo-presidente da Abert, a associação das empresas de televisão. Trata-se de Daniel Slaviero, funcionário do Ratinho. Ele veio com a televisão da família Pimentel que entrou para o elenco de propriedades do Ratinho no Paraná. Slaviero na verdade é vice-presidente da Abert, já que o Presidente de fato é o Senador Evandro Guimarães, eleito pela Globo. E Slaviero diz que o programa de Direitos Humanos do Lula é uma agressão à liberdade de imprensa. A Folha (*) de hoje diz que o programa é contra Igreja. A urubóloga Miriam Leitão, hoje na CNB, diz que o programa de Direitos Humanos do Lula vai impedir o movimento de rotação da Terra em torno do Sol. Não é por nada, não, amigo navegante, mas esse programa do Lula deve ser ótimo. Não li e já gostei …
Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, lugares, pessoas
A cidade de São Paulo está descobrindo, a duras penas, que o preconceito tem preço. Isso ocorre porque esse sentimento menor nos leva a fazer escolhas que interferem em nossas vidas e que se baseiam em premissas moralistas que freqüentemente derivam da mais completa amoralidade. Sim, escrevo sobre o governo Gilberto Kassab, que vai se constituindo em um demonstrativo eloqüente da irresponsabilidade de José Serra, que, a exemplo de Maluf, legou à capital paulista outra nulidade como prefeito. E nem acho que ocorrerem tantas catástrofes a cada chuva em São Paulo seja o melhor exemplo da péssima administração que tem hoje aquela que é a maior cidade do país e uma das maiores do mundo. Sejamos francos: sempre tivemos problemas com chuvas. Dependendo da administração, esses problemas são maiores ou menores, mas sempre ocorrem. E isso porque esta cidade cresceu de uma forma insana e prefeito nenhum evitará que eles aconteçam, ainda que possam tomar medidas preventivas que a administração incompetente de minha cidade não tomou. E por que não tomou? Um dos problemas dessa gente é o ideológico. Kassab acreditou na crise tanto quanto Serra, FHC e a Mídia. Daí que, bem no início dela, o prefeito paulistano cortou quase 7 bilhões de reais do Orçamento por conta de uma queda na arrecadação perfeitamente assimilável. O governo federal vem amargando quedas na arrecadação desde o início da crise, mas optou por investir em vez de cortar. O resto da história todos conhecem. Já a ideologia tucano-pefelê-midiática, só pensa em cortar. Menos em publicidade, é claro, que neoliberal nenhum é de ferro.
Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas
Titulou o jornal espanhol El País que 2009 foi o ano de Lula, em artigo de elogio ao presidente brasileiro assinado pelo primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero. Ao mesmo tempo que crescem os elogios internacionais ao trabalhador, a classe média e a velha direita no Brasil se assanham, pela imprensa e pela internet, em seus ataques ao líder. É o desespero da inveja, a explosão do preconceito. A reação da classe média e de seus porta-vozes na imprensa não se dirige a Lula, mas ao trabalhador. Não admitem que um pau de arara represente hoje, diante do mundo, um país das dimensões geográficas, econômicas, culturais e políticas do Brasil. Para essas senhoras deslumbradas da classe média e esses senhores que vivem bem, não se sabe com que recursos, é um desaforo que o torneiro mecânico seja recebido pelos reis e rainhas, que se assente ao lado de Elizabeth II, nos salões do Palácio de Buckingham, enquanto Obama se encontra, de pé, na segunda fila dos presentes. O presidente não recebe os aplausos somente por causa de sua história ou simpatia pessoal, que cativa quase todos os que o conhecem, mas – e principalmente – porque o povo brasileiro, sob sua liderança, tem trabalhado arduamente e vencido o pessimismo que nos atingia até poucos anos atrás. Lula tem dado o exemplo de que o povo é capaz de tudo. “Se o Lula chegou ao governo, por que não posso montar o meu negócio?”, é a pergunta que muitos se fazem, antes de criar sua pequena empresa, buscar financiamento, contratar trabalhadores de sua mesma origem, e promover o desenvolvimento do país.
Publicado por ACS em 01 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas
No campo da política, foi um ano muito difícil. A ambição dessa facção alucinada que tenta recuperar o poder a qualquer preço impôs entre nós uma crise econômica bem mais intensa do que poderia ter sido. Como em 2008 (no caso da febre amarela), o alarmismo continuou sendo a principal arma da imprensa golpista, do PSDB e do PFL. Trabalhadores e empresários se deixaram levar pelo pânico difundido pela mídia, que apostou na derrocada econômica em benefício do despachante que a elite descerebrada que tenta sabotar o Brasil escolhera para interromper o processo de distribuição de renda e de oportunidades ora em curso, o governador de São Paulo, José Serra. Apesar de tudo, o Brasil se mostrou maior do que essa elite tão mesquinha quanto microscópica. Mesmo com o pânico gerado por esses que tantas vezes estupraram a nossa sempre frágil democracia, passamos pela crise econômica com louvor. Para quem ainda não sabe, o Brasil fechou 2009 tendo a melhor aplicação financeira DO MUNDO neste ano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que se valorizou 141,6% em dólar de janeiro a dezembro. Isso aconteceu durante a maior crise econômica mundial dos últimos oitenta anos. Apesar do sofrimento e da angústia por que passamos mais uma vez, devo lhes dizer que foi até bom que a economia tivesse dado a parada que deu entre o fim do ano passado e o começo deste. Foi um freio de arrumação econômico. Se tivéssemos continuado crescendo na velocidade que estávamos em 2008, teríamos tido problemas com o câmbio e com a inflação, pois a capacidade de nossa indústria estava esgotada e só nos restava importar o que nos faltava para consumir. Poderíamos ter tido problemas sérios devido ao crescimento descontrolado, pois. Na política, apesar do ano de sobressaltos, de escândalos forjados pela mídia contra o governo visando pavimentar o caminho eleitoral de Serra, esses estratagemas fracassaram, pelo menos até aqui. O brasileiro vai mostrando maturidade que a mídia e a elite não conseguem ainda entender. O que importa, no fim, é que temos a previsão de um 2010 no qual a economia irá bombar com segurança e sustentabilidade e a política será tratada com seriedade e bom senso pelo povo.
Publicado por ACS em 01 Jan 2010 | sob: lugares, pessoas
Não há segregação no Rio. O melhor exemplo é a festa de ano-novo, que reúne 3 milhões de participantes nas praias. É 30% da população da região metropolitana do Rio de Janeiro, gente de todas as idades, gêneros, religiões (ateus incluídos), classes sociais (inclusive os desclassificados), que lá permanece das 9 da noite do dia 31 de dezembro até por volta das 3 da madrugada seguinte. É o maior espetáculo de integração social metropolitana do Brasil e, talvez, do planeta.
Publicado por ACS em 01 Jan 2010 | sob: pessoas
Por ser o líder mais popular da história brasileira, o presidente Lula foi escolhido pelo jornal britânico Financial Times como uma das 50 personalidades que ajudaram a moldar a última década. Segundo a publicação, “sob seu comando, o Brasil finalmente começou a confirmar seu enorme potencial e muitos, incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI), estimam que seja a quinta maior economia do mundo antes de 2020, trazendo mudança duradoura para a ordem mundial”. Outras publicações internacionais também prestaram homenagem ao presidente brasileiro este ano. O jornal espanhol El Pais o elegeu Personalidade do Ano e o jornal francês Le Monde o escolheu como Homem do Ano. A lista inclui políticos, empresários, esportistas e artistas, entre os quais o presidente americano Barack Obama e o seu antecessor, George W. Bush; o primeiro-ministro russo Vladimir Putin; o presidente chinês Hu Jintao; o líder da Al Qaeda Osama Bin Laden; o criador do Facebook Mark Zuckerberg, o artista Damien Hirst, o biólogo Richard Dawkins e o fundador da Apple Steve Jobs.