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Publicado por ACS em 10 Mar 2010 | sob: futuro, jornalismo, pensamentos, pessoas
“As empresas jovens nao estao perdendo nem um nanosegundo com o iPad ou pensando em como cobrar pelo conteúdo. Sao as empresas mais velhas, elas é que estao pensando nisso”. A análise é de Marc Andreessen numa conversa com o TechCrunch. Quando quem está falando é o co-criador do Mosaic (primeiro browser), fundador da Netscape e investidor em projetos como Digg, Ning e Twitter, a gente pára e presta atençao. Andreessen diz que as empresas de comunicaçao nao tem aptidao para a tecnologia, mas precisam aprender rapidamente uma liçao a partir da experiência de quem está nesse segmento - lidar com a mudança constante. E mais - quem está no negócio da comunicaçao, mesmo que nao queira, está também na área da tecnologia, porque seus produtos estao sendo consumidos em formato digital. Segundo Andreessen, jornais e revistas que cobrarem pelo acesso ao conteúdo digital nao vao chegar aonde o público está - porque ele está na web aberta, gratuita. Radical, Andreessen propoe - “Queimem os navios”. É uma referência à lenda sobre a chegada de Hernán Cortés ao Mexico. O conquistador espanhol teria mandado queimar as embarcaçoes nas quais tinha viajado para que nao fosse possivel voltar. Para jornais e revistas, os barcos sao as operaçoes impressas. Elas deveriam ser fechadas e as empresas deveriam abraçar a internet de coraçao aberto. “Precisa queimar os navios, precisa se comprometer (com o futuro)”, porque se a mídia tradicional nao queimar seus próprios navios, outros vao fazer isso - avisa Andreessen.
Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: pensamentos
“Não interessa o que dizem os moralistas; não devemos preocupar-nos em evitar as tentações. À medida que vamos ficando velhos, elas passam a evitar-nos.”
The Wanderer, in The Argus, Cidade do Cabo
Paulo Gama
Publicado por ACS em 10 Jan 2010 | sob: pensamentos, pessoas
Passei dez dias de pernas pro ar, na praia. Com a família e alguns bons amigos. Levei laptop. Mas a “lanhouse” mais próxima ficava a alguns quilômetros. Achei ótimo, confesso. Peço desculpas por ter deixado o blog sem atualização durante tantos dias. Mas eu precisava recarregar as baterias. Só não descansei mais porque meu filho Francisco não deixou. Deu seus primeiros passos na praia, comeu areia e bebeu água do mar - pra desespero da mãe… Achei maravilhoso vê-lo solto, a descobrir o mundo. Meus dias se passaram assim: protetor solar no Francisco, um mergulho no mar, papo furado de frente para o Altântico. Quando sobrava tempo, eu me debruçava sobre “A Última Estação”, de Jay Parini. Trata-se de um romance - baseado em fatos reais - que reconstitui os (traumáticos) últimos meses de vida do gigantesco Leon Tolstói. Leitura comovente. Bem, pra dizer a verdade, por telefone eu soube - sim - da grosseria (?) do Boris Kasoy com os garis, e da “crise militar”. Tive aquela coceirinha de ir até a “lanhouse” (que ficava duas praias para o sul) e escrever. Mas olhei bem para o mar, botei mais gelo no uísque, e permaneci onde estava. Agora, passado o Ano Novo, encontro minha caixa de mensagens eletrônicas (pela caixa convencional do Correio só chegaram - claro - contas e extratos bancários) abarrotada de textos sobre Boris e sobre os milicos à beira de um ataque de nervos. Não sei por que, mas os dois eventos me parecem partes de um mesmo Brasil do passado, um Brasil que se recusa a passar. Nesses últimos dias, observando o mundo da varanda a poucos passos da areia, longe das redações e da internet, notei mais uma vez como como a “pauta” que mobiliza jornalistas, articulistas e blogueiros é diferente dos assuntos que emocionam os “outros” cidadãos - aqueles que simplesmente tocam suas vidas… Acho que é a mesma distância que separa Boris dos garis. O nobre Tolstói valorizava os homens simples. Achava que do mujique (camponês) russo vinha a verdadeira sabedoria. Boris (que tem ascendência russa) pelo visto segue outra linha. Juro que senti mais pena do que raiva do Boris. Acho que os dias na praia amoleceram meu coração… Senti pena e constrangimento por ver um velho jornalista -que viveu tanto e parece não ter aprendido muito. Paciência. Espero aprender um pouquinho mais com o passar dos anos. Lá na beira da praia, a história trágica dos desmoronamentos de Angra e Ilha Grande mobiliza muito mais as pessoas do que qualquer debate sobre garis, militares e “revanchismo”. Aliás, não digo novidade nenhuma. É o óbvio ululante. Mas é bom prestar atenção a isso para que não nos afastemos da realidade das ruas e das praias. Por mais contraditório que possa parecer, nesses dez dias longe da internet e das notícias - conversando com o sorveteiro, o vendedor de redes e a moça do empório - não me senti isolado do mundo. Pelo contrário. Senti-me mais próximo de um mundo a que damos pouca atenção nos dias comuns e agitados da cidade grande. Espero não me esquecer disso ao longo de 2010. A vida é feita de batalhas. E orgulho-me de não fugir delas. Mas a vida é mais. Além de disposição para os bons combates - que certamente virão em 2010 - espero ter um pouquinho da sabedoria de Tolstói e da inocência do meu Francisco, durante o ano que começa. Assim, a vida fica mais saborosa. Mesmo agora, que já estou longe do mar e perto do asfalto. Bom 2010 a todos!
Publicado por ACS em 10 Jan 2010 | sob: futuro, pensamentos, pessoas
Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século 20, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica entre capitalismo e comunismo nas relações internacionais. Diante desse cenário, o sociólogo francês Edgar Morin, hoje com 87 anos, percebeu que a maior urgência no campo das idéias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. No lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, Morin propõe o conceito de complexidade. Ela é a idéia-chave de O Método, a obra principal do sociólogo, que se compõe de seis volumes, publicados a partir de 1977. A palavra é tomada em seu sentido etimológico latino, “aquilo que é tecido em conjunto”. O pensamento complexo, segundo Morin, tem como fundamento formulações surgidas no campo das ciências exatas e naturais, como as teorias da informação e dos sistemas e a cibernética, que evidenciaram a necessidade de superar as fronteiras entre as disciplinas. “Ele considera a incerteza e as contradições como parte da vida e da condição humana e, ao mesmo tempo, sugere a solidariedade e a ética como caminho para a religação dos seres e dos saberes”, diz Izabel Cristina Petraglia, professora do Centro Universitário Nove de Julho, em São Paulo.
Para o pensador, os saberes tradicionais foram submetidos a um processo reducionista que acarretou a perda das noções de multiplicidade e diversidade. A simplificação, de acordo com Morin, está a serviço de uma falsa racionalidade, que passa por cima da desordem e das contradições existentes em todos os fenômenos e nas relações entre eles. O início do século 20 foi marcado por duas revoluções científicas: a teoria da relatividade de Albert Einstein (1858-1947) e a mêcanica quântica de Max Planck (1879-1955). Ambas obrigaram a humanidade a rever doutrinas e tiveram aplicações nas mais diversas áreas, da filosofia à indústria bélica. A teoria quântica, por exemplo, derrubou certezas da Física e as substituiu pela noção de probabilidade. A relatividade pôs em questão os conceitos de espaço e tempo. Para completar, na termodinâmica, Niels Bohr (1885-1962) chegou à necessidade de tratar as partículas físicas tanto como corpúsculos quanto como ondas. Quando tudo parecia incerto e relativo, a teoria do caos, já na segunda metade do século, veio, de certa forma, na direção oposta, ao demonstrar que também nos sistemas caóticos existe ordem. Essas e outras reformulações do conhecimento humano levaram Morin a definir sete “princípios-guia” da complexidade, interdependentes e complementares. São eles os princípios sistêmico (o todo é mais do que a soma das partes), hologramático (o todo está em cada parte), do ciclo retroativo (a causa age sobre o efeito e vice-versa), do ciclo recorrente (produtos também originam aquilo que os produz), da auto-eco-organização (o homem se recria em trocas com o ambiente), dialógico (associação de noções contraditórias) e de reintrodução do conhecido em todo conhecimento. Para recuperar a complexidade da vida nas ciências e nas atividades humanas, Morin recomenda um pensamento crítico sobre o próprio pensar e seus métodos, o que implica sempre voltar ao começo. Não se trata de círculo vicioso, mas de um procedimento em espiral, que amplia o conhecimento a cada retorno e, assim, se coaduna com o fato de o homem ser sempre incompleto – o aprendizado é para toda a vida. “A reforma do pensamento pressupõe a consciência de si e do mundo”, diz Izabel Cristina. “Ela decorre da reforma das instituições e vice-versa.” Nos processos em espiral, é necessário conhecer os conceitos de ordem, desordem e organização. Do ponto de vista da complexidade, ordem e desordem convivem nos sistemas. O que diferencia o todo da soma das partes é o que Morin denomina comportamento emergente. Nos seres humanos, a dinâmica entre ordem e desordem se subordina à idéia de auto-eco-organização: a transformação extrapola o indivíduo, se estendendo ao ambiente circundante. Uma vez que tudo está interligado, a solidariedade é tida pelo sociólogo como peça fundamental para superar aquilo que denomina crise planetária – uma situação de impotência diante de incertezas que se acumulam.
Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: pensamentos
São os carris que me levam, e os fios da electricidade, toda paisagem relevam, vou em boa velocidade. Ando sempre em viagem, longe de onde vou dormir, quase não tenho paragem, porque o meu destino é ir. Depressa hei-de chegar, nem que seja em pensamento, até á proxima gare, distante neste momento. Respiro numa carruagem, juntamente com alguém, todos estão de passagem, não conheço ninguém. Tenho um passe social, com a duração de um mês, investi o capital, para o ir buscar outra vez. Quando as portas se abrem, logo se fecham - já vi, ás vezes as pessoas mal cabem, mas hoje há lugares vagos aqui. Sinto-me embalado pela turpidação, o banco bem podia ser sofá, será uma divagação, pensar porque estou cá? Já estou quase onde queria, entre minutos tudo passou, a minha ansia ganhou harmonia, a viagem acabou!
Publicado por ACS em 01 Jan 2010 | sob: futuro, pensamentos
Eu também gostaria muito de ter falado de outra terra, outro tempo, outro planeta, outro povo, mas foi deste aqui mesmo que falei, e quem acompanha o blog sabe que não brinco com essas coisas, nem falo sem base. Porém, sou otimista, gosto da esperança e acredito que as coisas sempre melhoram, pois não há motivo mais forte para nossa existência, trabalhar para melhorar a vida e o mundo. Então, uma hora as coisas se acertam e o mundo dá mais um passo. Mas não se pode fugir dos problemas, nem ignorá-los; é preciso enfrentá-los, aprender com eles e superá-los. E, sobretudo, é fundamental não cometer mais os mesmos erros.
Publicado por ACS em 25 Dez 2009 | sob: futuro, pensamentos, pessoas, cultura
Quando viajo e encontro colegas franceses, alemães, russos, chineses, noto que estão todos desencantados com seus políticos e seus governos. Muitos dizem: “Sorte sua que é do Brasil, onde as coisas vão acontecer, que alimentará o mundo, produzirá energia limpa e ainda manterá o ambiente de pé. Como a gente vai conseguir criar uma democracia feliz, onde as pessoas vão poder perseguir a felicidade? Vocês têm um presidente que é admirado no mundo inteiro”. E então eu penso: se os brasileiros ouvissem metade do que ouço pelas minhas viagens, certamente se encantariam. Mas esta informação não chega. Abrimos os jornais brasileiros e as manchetes são desanimadoras, não celebramos os avanços. Há frases ditas por brasileiros que eu odeio, como aquelas do tipo “só podia ser no Brasil mesmo”, ou “se a gente fizer assim, vira coisa de Primeiro Mundo”. Vivemos nos depreciando. O Primeiro Mundo está despencando, entrando num buraco negro e não sabe se vai escapar. A Europa tem problemas seríssimos, os Estados Unidos estão desesperados, precisam sair do problema que eles mesmos criaram. Sobrou quem para ser Primeiro Mundo? Nós somos o Primeiro Mundo. O Primeiro Mundo do amanhã, mas para isso precisamos acreditar em nós.
Publicado por ACS em 21 Nov 2009 | sob: politica & economia, pensamentos, pessoas
Quero deixar uma coisa bem clara: se eu tiver que me transformar naqueles que combato para combatê-los, prefiro entregar os pontos. Até porque, acho desnecessário usar esses métodos quando há outros tão mais eficientes como, por exemplo, usar a verdade, que considero uma força da natureza.
Publicado por ACS em 21 Nov 2009 | sob: pensamentos, pessoas
Não acredito em Deus. O único divino que eu acredito é o Ademir da Guia [craque do Palmeiras nos anos 1960-70, apelidado de Divino pela crônica esportiva]. Aliás, tenho uma ótima relação com Deus: ele não acredita em mim e eu não acredito nele.
Publicado por ACS em 15 Nov 2009 | sob: pensamentos, pessoas, submundo
Achei o elo que une os poderosos e influentes (porém completamente minoritários) 8% do total de cidadãos brasileiros que se negam a reconhecer os méritos do homem Luiz Inácio Lula da Silva com os jovens reacionários que atacaram a jovem estudante Geisy Arruda em 22 de outubro passado na universidade Uniban. Refiro-me à vaidade, ao orgulho, à soberba, enfim, ao 5º Pecado Capital dos sete definidos pelo Papa Gregório Magno no século VI da era Cristã. Refiro-me a essa cadeia única que aprisiona os que, mesmo diante da evidência inquestionável de um erro, preferem morrer a “dar o braço a torcer”. Nos casos do presidente Lula e da estudante de turismo da Uniban, mesmo diante de um consenso mundial de que os pontos de vista e as condutas desse setor da sociedade são incompatíveis com o bom senso, com a lógica, com a verdade e com a Justiça, esse setor não cede. O mundo inteiro lhes diz que estão enganados, mas enfiam os indicadores nos ouvidos enquanto continuam proferindo seus mantras alucinados. É a vaidade. Essas pessoas estão acostumadas a proferirem decretos sobre a vida alheia baseadas apenas no que lhes dizem as próprias idiossincrasias políticas, ideológicas e morais e não podem, nem concebem e simplesmente não conseguem aceitar e reconhecer para si mesmas que cometeram injustiças tão graves. As cadeias que arrastam em suas vidas, porém, vão se tornando cada vez mais pesadas, obrigando esse tipo de gente a freqüentemente enxergar a si mesma em toda sua deformidade moral e espiritual. Deve ser bem doloroso viver preso pelas cadeias da vaidade.
Publicado por ACS em 14 Nov 2009 | sob: pensamentos, submundo
“A linguagem sempre revela o que uma pessoa tem dentro de si e deseja encobrir, de si ou dos outros, ou que conserva inconscientemente. Este também é, sem dúvida, o significado da frase Le style c´est l´homme (o estilo é o homem). Uma pessoa pode fazer declarações mentirosas, mas o estilo deixará as mentiras expostas”.
Trecho do livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer | Controversia
Publicado por ACS em 02 Nov 2009 | sob: pensamentos
Por esta possibilidade de poder suar-me as faces para ganhar o pão que me sacia e aos meus, agradeço. Quantos não foram agraciados com a persistência ou com a inteligência necessárias à superação dos obstáculos… Os caprichos do destino são dolorosos, mas são estes momentos de saciedade do espírito que nos permitem superar os desertos de recompensas e alegrias que somos obrigados a cruzar tantas vezes em nossas breves vidas. Obrigado, meu Deus.