politica & economia

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além do econômico, e muito além do câmbio

Publicado por ACS em 06 Mar 2010 | sob: politica & economia, futuro

José Serra tenta retomar o discurso programático. Ontem, o discurso no centenário de Tancredo. Hoje, a antecipação de algumas ideias econômicas, especialmente o combate à apreciação cambial. Seja quem for o presidente – Serra ou Dilma, provavelmente não com Aécio – a apreciação cambial será combatida. Quem é oposição pode ser mais explícito; que é governo, menos. Mas não há diferenças de posição nesse item. O que compromete Serra não são suas ideias econômicas. É algo mais substantivo. A gestão Lula mostrou um outro padrão de governabilidade, que vai além do econômico, e muito além do câmbio. Trata-se de reconstrução política e institucional brasileira, na qual a economia é uma perna importante – mas restrita. Quem tiver boas ideias apenas nessa área, é candidato a Ministro da Fazenda, não a presidente. A governabilidade pressupõe o exercício permanente da tolerância e da redução de pontos de fricção partidários, de classe ou regionais. Exige um olhar sistêmico sobre o país, a capacidade de ver todas as pontas, de identificar as linhas de menor resistência, de saber negociar no plano partidário e federativo, de somar, ouvir. Mais: exige planejamento, gerenciamento, identificação dos fatores fundamentais de progresso. Sem esse arcabouço institucional novo, se ficará apenas no campo dos conceitos e do discurso vazio.

luis nassif

no forno da direita brasileira

Publicado por ACS em 06 Mar 2010 | sob: politica & economia, futuro

Em um ano eleitoral que já acende as suas turbinas, pouco pode ser mais útil do que exercitar a memória, artigo tão escasso neste país. Este texto, pois, é um convite ao exercício dessa parte tão “enferrujada” da mente nacional, pois esta precisa ser reativada para que não venhamos a cair em contos do vigário como esse que atribui o “fim da inflação” ao governo FHC. Quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu em 1994, a economia brasileira destoava da maior parte da América Latina. Argentina, Bolívia, México, Nicarágua e Peru, por exemplo, tinham vivido tantos surtos inflacionários, durante a década de1980 e início dos anos 1990, quanto o Brasil, mas já haviam implantado os seus planos reais. À luz da experiência de programas de estabilização semelhantes adotados no México, por exemplo, a partir de 1988, ou na Argentina desde 1991, o Brasil adotou políticas públicas que levariam ao surto de bem estar social fundado, maiormente, na valorização artificial da moeda tão denunciada pela então oposição petista, que desde o limiar daquela experiência econômica prognosticava os problemas que de fato sobreviriam. Fernando Henrique Cardoso foi convidado por Itamar Franco para ser ministro da Fazenda em maio de 1993. A idéia era nomear alguém para dar uma cara política a um plano que vinha de fora e que revelaria grande eficácia no combate à inflação com o alinhamento da política econômica ao modelo de estabilização que vinha sendo aplicado em outros países da América Latina, particularmente no México e na Argentina. Como ocorreu nos tantos países supra enumerados, a economia brasileira, agora, veria o tão sonhado “fim” da inflação. Todavia, esse feito se faria acompanhar por elevados déficits no comércio exterior por conta do real valorizado por força de lei, o que nos geraria uma bomba de efeito retardado. Outro efeito deletério da adoção por tupiniquins do programa econômico de Margareth Tatcher e Ronald Reagan foi a total dependência do volátil capital externo de curto prazo em que mergulhamos. Precisávamos dele para dar sustentação ao câmbio congelado por decreto. À diferença de hoje, quando o capital transnacional vem ao Brasil para investimentos de curto, médio e longo prazos, naquele tempo vinha somente para especular no mercado financeiro, nos overs nights da vida, e desaparecia assim que o país precisava dele. Como evidência de que se tratava de um mesmo modelo geral de estabilização aplicado a diversos países da América Latina, há as seguintes similaridades entre os vários programas então implantados no quintal dos Estados Unidos, em países que se contorciam em dolorosos espasmos hiperinflacionários:

* Âncora Cambial (congelamento da taxa de câmbio).
* Abertura às importações por meio de forte redução dos impostos.
* Desregulamentação para entrada de capital estrangeiro de curto prazo.
* Desindexação plena e progressiva da economia.
* Aumento de impostos.
* Âncora monetária (alta dos juros).
* Privatizações.

Todos se lembram do resto do filme. Mas precisam se lembrar de que para um filme ter um fim, precisa ter começo. Ora, o mundo moderno fornece amplos meios para se resgatar cada detalhe dos fatos inquestionáveis que narrei acima. Eles serão extremamente úteis para se combater essa tentativa de revisão histórica que assa no forno da direita brasileira.

Eduardo Guimaraes

Abilio Diniz | o legado do crescimento

Publicado por ACS em 06 Mar 2010 | sob: politica & economia, futuro, pessoas

O empresário Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, maior rede varejista do país, se declarou na quinta-feira um verdadeiro cabo eleitoral da pré-candidata do PT à Presidência da República, a ministra Dilma Rousseff. Na apresentação do novo presidente da empresa, Enéas Pestana, Diniz defendeu Dilma e disse que ela tem “todas as condições” de levar adiante o “legado” que será deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É o legado do crescimento, da geração do emprego e da distribuição de renda. Este é o legado que ele (Lula) deixa. Tenho uma profunda admiração por este homem” – disse Diniz, negando que os elogios sejam uma declaração de voto na ministra.

www.paulohenriqueamorim.com.br

A trupe dos privatizadores

Publicado por ACS em 06 Mar 2010 | sob: politica & economia, futuro, jornalismo

Basta que Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República recém-ungida por Lula, faça referências bastante genéricas à natural, inescapável relação entre Estado e Economia, e de pronto o deus nos acuda se estabelece. Quem acompanha a cobertura jornalística, quem lê os editoriais dos jornalões, fica exposto à sensação (à certeza?) de que, se Dilma ganhasse as próximas eleições, o Brasil cairia nas mãos da horda estatizante. Mauricio Dias, em sua Rosa dos Ventos, agudamente avisou, faz duas semanas, que a divergência quanto à correta interpretação do papel do Estado nos domínios econômicos acabaria por excitar cada vez mais o debate eleitoral. Pois a questão está posta, e ganha tons exasperados, e até anacrônicos, na convicção medieval de que aos barões cabe a propriedade de tudo. Nesta edição, o confronto já esboçado está na capa. Aqui me agrada recordar certas, fundamentais circunstâncias em que se deram as privatizações celebradas como trunfo do governo de Fernando Henrique Cardoso, entre elas, em primeiro lugar, o desmantelamento da velha Telebrás, leiloada para uma plateia de barões à sombra do martelo de um punhado de extraordinários leiloeiros. Final de 1998, FHC já reeleito, mas ainda não empossado, para o segundo mandato. Operação entregue aos cuidados do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, de André Lara Resende, presidente do BNDES, de Ricardo Sergio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil. Entre outros menos qualificados. Grampos variados acabaram por revelar o pano de fundo de uma bandalheira sem precedentes na história pátria. Foi uma orgia de fitas. Em sua reportagem de capa da edição de 25 de novembro de 1998, CartaCapital dizia: “Fala-se em 27, mas certeza só tem quem participou dos grampos”. Ilegais, obviamente, e desde o início do ano destinados a ouvir as conversas do próprio Luiz Carlos Mendonça de Barros, que ainda estava na presidência do BNDES. O que movia os grampeadores, adversários de Mendonção, era buscar as razões da vertiginosa ascensão da Link Corretora de Mercadorias Ltda., dos filhos do grampeado: em quatro meses de atividade tornara-se a terceira operadora no ranking do Índice Bovespa Futuro. “Cerca de 40% desse índice – sublinhava CartaCapital – era composto por ações da Telebrás, empresa sob o comando do presidente do BNDES.” O cerco a Mendonção prosseguiu mesmo quando ele se mudou para o Ministério das Comunicações, e ali, no seu gabinete, as gravações mais significativas, relativas ao leilão da Telebrás, foram executadas entre 21 de julho e 21 de agosto de 98. O próprio governo, pego no contrapé, cuidou de divulgar uma versão da fitalhada, com cópias generosamente fornecidas às semanais Veja e Época. Cópias amplamente manipuladas, para provar a lisura dos comportamentos das figuras governistas chamadas a conduzir a privatização do sistema. Ocorre que outros ouvidos entraram em cena, e tiveram acesso a largos trechos cancelados nas versões oficiais. Os ouvidos de Luiz Gonzaga Belluzzo e do acima assinado, que participaram de uma audição especial, e do então redator-chefe, Bob Fernandes, privilegiado em outra ocasião. Cito algumas passagens edificantes, que não figuravam nos textos de Veja e Época. De Mendonção para o irmão José Roberto: “O negócio tá na nossa mão, sabe por quê, Beto? Se controla o dinheiro, o consórcio. Se faz aqui esses consórcios borocoxôs são todos feitos aqui. O Pio (Borges, vice-presidente do BNDES) levanta e depois dá a rasteira”. De Mendonção para André Lara Resende, novo presidente do BNDES: “Temos de fazer os italianos na marra (Telecom Italia) que estão com o Opportunity (…) fala para o Pio que vamos fechar (os consórcios) daquele jeito que só nós sabemos fazer”. De André Lara Resende para Persio Arida, sócio de Daniel Dantas no Opportunity: “Vá lá e negocia, joga o preço para baixo, depois, na hora, se precisar, a gente sobe e ultrapassa o limite”. As pressões chegam ao clímax, e Mendonção propõe: “Temos que falar com o presidente”. E Resende: “Isso seria usar a bomba atômica!” E ele a usa: “Precisamos convencer a Previ”, recomenda a FHC. A Previ poderia prestar-se ao jogo, como se prestou no caso da privatização da Vale do Rio Doce. O fundo, contava Carta-Capital na reportagem de capa assinada por Bob Fernandes, “parecia compor-se com o grupo capitaneado por Antonio Ermírio de Moraes, à última hora bandeou-se para a nau pilotada por Benjamin Steinbruch”. Na manobra para enredar a Previ no caso do leilão da Telebrás, foi decisiva, segundo os trechos omitidos das versões oficiais, a pronta colaboração de Ricardo Sergio, o diretor do Banco do Brasil. Tal é o bastidor das privatizações à moda nativa, ou melhor, tucana. Ou fernandista, se quiserem. A trupe dos privatizadores abandonou a ribalta faz bom tempo, mas não é arriscado imaginar que viva dias pacatos. O mais ostensivo, no seu bem-bom, é André Lara Resende, hoje dono de uma quinta em Portugal. Devotado aos esportes equestres, freta aviões para importar seus cavalos.

Mino Carta | Controversia

mentir, distorcer e propagar articulações

Publicado por ACS em 06 Mar 2010 | sob: politica & economia, jornalismo

A revista Veja de 6 de março traz na capa a manchete “Caiu a casa do tesoureiro do PT” e anuncia a revelação de um escândalo que desviou dezenas de milhões de reais que abasteceu o caixa 2 da campanha de Lula em 2002. Em material de divulgação na internet, a Editora Abril diz a revista traz com “exclusividade um dos maiores escândalos político-eleitoreiros dos últimos tempos”. Não há na matéria qualquer revelação ou mesmo exclusividade pois a Bancoop é saco de pancada da Bandnews, Estadão e IstoÉ há longos quatro anos. A abordagem tão grosseira e analfabeta da Veja só acontece porque não há no país um controle social da imprensa e uma legislação que permita, no mínimo, o direito de resposta. Ou, ao menos que imponha à revista que ouça os criticados, o que paraveja é uma veleidade, pois toda a matéria foi produzida sem que em qualquer momento a Bancoop fosse ouvida. Ou seja, Veja se dá o direito de esculhambar porque está segura da impunidade. Em qualquer outra circunstância, certamente a reportagem lhe renderia um milionário processo por injuria e difamação, além de ter que publicar um direito de resposta do mesmo tamanho. Na verdade, Veja dá o primeiro passo das diretrizes definidas no seminário do Instituto Millenium, realizado em 1º de março, onde um núcleo estratégico dos barões da mídia brasileira se alinharam com o tucano José Serra e articularem linhas mestras de ataques pesados à candidatura Dilma. A tática funciona assim, um veículo esquenta o assunto independente da verdade dos fatos, outros jornais o acompanham e os articulistas ampliam o debate. Vamos ver quando Arnaldo Jabor vai dar o assunto e a CBN coloque-o como “uma singela dose de polêmica de um cineasta maluco”. Que a Bancoop passou por uma crise isso é de conhecimento público, fartamente noticiado pelos jornais. Veja não se deu ao serviço de ler o clipping de noticiários anteriores. E se existe um caso que passou por todas as instâncias de auditoria e fiscalização, é a Bancoop, seja no Ministério Público, no Tribunal e nas fiscalizações internas. Problemas internos de uma cooperativa foram transformados em bandeira política e agora são agitadas - tendo a capa de Veja como o primeiro movimento - justamente quando é aprovada uma a CPI do Banespa na Câmara dos Deputados que poderá fazer um enorme ajuste de contas com as privatarias do governo FHC, tendo como José Serra o ministro do Planejamento. A comprovação de que a liberação de R$ 4 bilhões (hoje R$ 14 bi) de títulos do Tesouro Federal como doação ao Santander pode por muitas autoridades na cadeia. Conhecendo como funciona a imprensa golpista, outros jornais e televisões destacarão o assunto, dentro da lógica da ‘infestação’ em cadeia. A liberdade de imprensa permite que todos os veículos de comunicação tenham o direito de se posicionar a favor de qualquer candidatura. O que Veja faz é mentir, distorcer e propagar articulações claramente eleitoreiras como se fossem informações.

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a democracia norte-americana e seu declínio

Publicado por ACS em 21 Fev 2010 | sob: politica & economia, futuro

O dia 21 de janeiro de 2010 será lembrado como uma data sombria na história da democracia norte-americana e seu declínio. Naquele dia, a Suprema Corte dos EUA determinou que o governo não pode proibir as corporações de fazerem gastos políticos durante as eleições – uma decisão que afeta profundamente a política do governo, tanto interna quanto externa. A decisão anuncia uma tomada ainda maior do sistema político dos EUA por parte do setor corporativo. Para os editores do The New York Times, a decisão “atinge o coração da democracia” ao “abrir caminho para que as corporações usem seus vastos tesouros para dominar as eleições e intimidar as autoridades eleitas a cumprirem suas ordens”.

Noam Chomsky | Controversia

SERRA = ARRUDA

Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia, pessoas

O problema é o choque de egos entre os tucanos

Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia

Sob comando da família Mesquita, o “Estadão” sempre foi um jornal mais “ideológico” do que a “Folha”. O diário dos Frias muda de posição conforme muda o vento. Os dois jornais estiveram a favor do golpe de 64. O “Estadão” - como boa parte da elite brasileira - queria uma intervenção rápida dos militares, “limpando” o país dos “comuno-petebistas”. Depois, o poder cairia no colo da UDN. Era o sonho da família Mesquita. Quando a ditadura mostrou que viria pra ficar, o “Estadão” teve a coragem de rever suas posições, e foi pra oposição. Viveu sob censura, teve que publicar receitas e poemas no lugar de textos censurados. A “Folha”, não. A “Folha” (há várias testemunhas disso) chegou a emprestar seus carros para transporte de presos, e para uso do DOI-Codi em São Paulo. Quando o vento mudou, nos anos 80, aí a “Folha” virou “democrata”, botou faixa amarela na capa, e fez campanha pelas Diretas-Já. Teve um papel importante naquela época. Isso não se nega. E conquistou muitos jovens leitores com essa posição de “vanguarda”. Por que relembro isso tudo? Porque, nos últimos dias, ficou claro que apito “Folha” e “Estadão” tocam em relação à candidatura tucana. O “Estadão” publicou o artigo de FHC, no domingo - chamando o PT para a briga (o que Lula e Dilma adoraram). A “Folha”, nesta terça, deixa claro que a tática de FHC desagradou a Serra. O jornal dos Frias não ouviu o Serra em “on”. E não precisa. O recado foi dado na capa: “Críticas de FHC ao presidente contrariam a tática de Serra”. O “Estadão” fala por FHC. De forma aberta - como manda a boa tradição do jornal (lembro que, hoje, o diário nem está mais sob comando dos Mesquita, mas de um comitê de credores que - segundo alguns - incluiria também gente muito próxima a FHC). A “Folha” fala por Serra. De forma velada. É um pouco mais que isso. Os dois jornais, claro, querem a vitória de Serra. Mas, para o “Estadão, não basta uma vitória qualquer. Precisa ser uma vitória que reafirme o ideário (neo) liberal: a candidatura tucana deveria levantar as bandeiras, defendendo o legado de FHC. Para o “Estadão”, não vale uma vitória envergonhada, que esconda FHC e legitime o “Estado forte” do segundo mandato lulista. FHC foi o sujeito que prometeu “enterrar a era Vargas”. É o velho sonho do “Estadão”, que até hoje não digere a derrota para Vargas em 32. A “Folha”, como sempre, parece mais pragmática. Se for preciso esconder FHC para que Serra vença, ótimo. Não é por outro motivo que o jornal dos Frias escalou o (bom) repórter Gustavo Patu para mostrar como FHC omitiu os erros do governo dele no artigo escrito para o “Estadão”. É um recado da “Folha” (e de Serra) para FHC: se falar demais, até nós vamos desconstruir o seu governo! FHC já percebeu que - se não brigar para defender sua biografia - ela será jogada no lixo, inclusive pelos correligionários tucanos. Lula quer que a eleição vire um “choque de programas” (governo Lula x governo FHC). Serra quer “choque de biografias” (o ex-ministro e governador “experiente” x a ministra “inexperiente”). O problema é o choque de egos entre os tucanos. Quem vai guardar o ego de FHC no apartamento dele, em Higienópolis? Só Dona Ruth conseguiria… Pensando bem, não é justo exigir tal esforço de FHC, a essa altura da vida. Deixa o FHC falar à vontade! Faz bem pra ele. E, certamente, fará um bem enorme ao país…

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por que o PFL mudou seu nome para “Democratas”?

Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia, jornalismo, empresas, futebol

Ao ver a insistência dos meios de comunicação aliados de José Serra de vincularem José Roberto Arruda a Lula e ao PT, chego a pensar que não se trata, apenas, de uma tentativa real de influir na política enganando o eleitorado, mas da intenção deliberada desse grupo político de meramente esbofetear seus adversários. A insinuação dos jornais, revistas, tevês, rádios e portais de internet é a seguinte: podemos fazer tudo. Somos senhores da realidade. Podemos fazer com que a queda de Arruda, adversário político de Lula, seja vista como queda de um aliado do presidente e com que as pessoas vinculem o governador pefelê ao PT, invertendo essa prova que sobreveio de que os acusadores do partido e do presidente da República é que são os verdadeiros corruptos. Esse conclave político-midiático considera a guerra psicológica uma espécie de componente do jogo político. Esbofetear aqueles que sabem que Arruda é um expoente da oposição a Lula, um aliado de José Serra que estava sendo anunciado há umas boas semanas como provável candidato a vice na chapa do tucano à Presidência, abalaria o moral dos petistas e do seu eleitorado. A teoria da mídia não deixa de ter algum fundamento. Desde a prisão de Arruda, pelo menos aqui em São Paulo muita gente está criticando Lula pelo que aconteceu com o aliado de Serra. E não falo apenas de pessoas comuns que se põem a mentir deliberadamente por não gostarem de Lula, do PT e, agora, também de Dilma. Falo de pessoas sem maior politização. Vocês sabem por que o PFL mudou seu nome para “Democratas”? Porque o partido estava muito desgastado com seus constantes escândalos e, assim, precisava enganar o eleitorado, aparecendo como uma nova força política “na praça”. E deu certo. Um partido que já era visto como símbolo da corrupção (o PFL) conseguiu eleger o prefeito da maior cidade do país e o governador da capital da República. Querem se assustar mais? Tem muita, mas muita gente que não sabe que o Democratas é o PFL, assim como há muita gente que pensa que Serra é o candidato de Lula à Presidência, assim como, agora, também há muita gente que pensa que Arruda era aliado do presidente da República. Como funciona isso? Ora, vá aos blogs do Noblat, do Josias de Souza, do Reinaldo Azevedo, por exemplo; ou aos portais UOL, G1, IG, Terra; ou às Globos, ao SBT, à Band, à RedeTV!, à TV Gazeta, à TV Cultura, à CBN, à Eldorado; ou à Folha de São Paulo, ao Estadão, à Veja, enfim, vá à grande mídia e verá cobranças a Lula por conta de Arruda. Claramente. Como se fosse a coisa mais natural do mundo cobrar um político pelas estripulias de seus adversários. Como fizeram isso? Distorceram declarações do presidente como a de que não seriam as imagens da corrupção de Arruda que o condenariam, mas, sim, o devido processo legal, ou de que é lamentável, para a classe política, o que aconteceu com o governador de Brasília, obviamente que não devido à queda de um inimigo político de Lula ser ruim para ele, mas porque desmoraliza ainda mais a classe política junto à sociedade. Mas será que esses meios de comunicação, será que esses jornalistas que mencionei acham que podem fazer o país pensar que Arruda é problema de Lula? Será o conjunto do povo tão estúpido assim? Não é preciso pensar muito para responder que é claro que não, que só uma parte da sociedade é assim tão mal informada, tão ignorante sobre política – e sobre tudo, pois quem cai num golpe desses não sabe nem onde tem o nariz. Contudo, é justamente esta parcela da sociedade que é o alvo. E não é uma parcela muito pequena, há que dizer. O que essa mídia pretende, pois, é que essa parcela canalha dos brasileiros que acusa, de forma consciente e proposital, quem jamais foi flagrado como foi o grupo político de Serra e Arruda, junte-se àqueles inocentes úteis que não têm a menor noção do que está acontecendo no país e que, assim, compram a mentira de que Lula tem algo que ver com o governador caído de Brasília. Mas, também, essa gente aproveita para infligir um sofrimento psicológico aos seus adversários inundando a mídia com uma mentira absurda sem que estes tenham como reagir à altura sem levantar um enorme debate que não ficaria bem os alvos dessa farsa enfrentarem, pois pareceria que têm culpa no cartório. Eis a bofetada que levam os homens e mulheres decentes e conscientes desta nação. É nesta hora, porém, que, apesar da indignação, temos que manter a serenidade e a confiança no povo brasileiro, na verdade e na justiça. Mais do que nunca, as vítimas dessas hienas temos que ter em mente o sábio dito popular que reza que “Quem ri por último, ri melhor”.

Eduardo Guimarães

o perfeito representante do império soviético

Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia, pessoas

É do conhecimento até do mundo mineral que Fernando Henrique é vaidoso. Mesmo os amigos mais chegados lhe apontam o pecado desde os tempos em que iam às calçadas paulistanas na noite da corrida de São Silvestre para torcer pelo tcheco Emil Zatopek, a “locomotiva humana”, por enxergar nele o perfeito representante do império soviético. Pecado capital, a vaidade, segundo os católicos. Se esse aspecto da personalidade do ex-presidente não passa despercebido aos olhos do Pão de Açúcar e da Pedra do Baú, imaginem o que se dá com Lula, um expert em FHC. As mais recentes reações do príncipe dos sociólogos às comparações promovidas na área petista entre seu governo e o de Lula servem somente para demonstrar que FHC é pecador contumaz, de sorte a alegrar seus adversários e, assim me parece, inquietar José Serra. Se a vaidade de FHC se estabelece, Lula vence, pois é exatamente a vitória que procura. O presidente montou o ardil, o ex-presidente caiu na esparrela. Adaptou-se ao esquema do plebiscito convocado peremptoriamente pelo atual titular sem perceber o erro pueril que estava a cometer. Vanitas vanitatum, diriam os antigos romanos.

Mino Carta | Carta Capital | Conversa Afiada

o versátil administrador tucano

Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia

Há algumas semanas, o blogueiro Luis Nassif adverte para um fato grave que continua ignorado pela mídia golpista. “Duas investigações em andamento – a Operação Castelo de Areia e o caso José Roberto Arruda – estão batendo direto no sistema de financiamento de campanha do governador José Serra… Não é nada trivial. Não se trata de denúncias de oposição, de suspeitas, mas de investigações policiais calcadas em provas, depoimentos de testemunhas, documentos”. No final de dezembro, a revista CartaCapital confirmou a existência da “conexão Serra-Arruda”, como Nassif batizou sua descoberta. Ela revelou que o administrador de empresa Ailton de Lima Ribeiro, “homem de confiança de José Serra”, é um dos envolvidos no escândalo do “mensalão do DEM”. Filiado ao PSDB, Ribeiro trabalhou com Serra no Ministério da Saúde e na prefeitura de São Paulo. Na sequência, prestou serviços ao prefeito demo Gilberto Kassab. Desde março de 2009, ele era um colaborador íntimo de José Roberto Arruda, o governador do Distrito Federal. Segundo aponta a revista, “ao desenrolar o novelo do Arrudagate, o fio das investigações aponta para um esquema formado por uma rede de empresas beneficiadas por contratos milionários no Distrito Federal e em São Paulo”. Ribeiro é o principal envolvido. O gestor tucano já havia sido alvo de outras denúncias. Após ocupar vários cargos importantes no Ministério da Saúde, ele foi afastado do órgão durante as investigações da Máfia do Sangue. Em outubro de 2008, também foi citado no rastro da investigação da Operação Parasitas, que apurou a existência de um grupo de empresas que fraudava e superfaturava contratos na área de saúde com a prefeitura paulistana. Com o estouro do escândalo do “mensalão do DEM” de Brasília, outro demo, Gilberto Kassab, decidiu suspender o contrato milionário, sem licitação, feito pela Secretaria Municipal de Saúde com o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), no valor de R$ 15,8 milhões. “A prefeitura já havia pago, antecipadamente, R$ 2 milhões. Surpresa: Ribeiro faz parte da diretoria do Iabas. O seu nome consta do site da organização como diretor de gestão em saúde pública”, relata a revista, que descreve outros casos sinistros envolvendo o versátil administrador tucano.

Altamiro Borges | Controvérsia

2003 a 2008 foi o melhor para a economia brasileira

Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia

O período de junho de 2003 a julho de 2008 foi o melhor para a economia brasileira, de 1980 para cá, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Nesses cinco anos, a indústria se expandiu, as vendas do comércio registraram alta e a geração de emprego e renda cresceu. A análise foi realizada pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, coordenado pelo ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, e teve participação de mais seis economistas. Segundo o estudo, o bom desempenho da economia começou seis meses após a posse do presidente Lula e se prolongou por 61 meses. O segundo melhor período foi entre fevereiro de 1987 e outubro de 1988, na gestão do ex-presidente José Sarney.

www.redebrasilatual.com.br

As instituições começam a funcionar

Publicado por ACS em 13 Fev 2010 | sob: politica & economia

A prisão do governador José Roberto Arruda (ex-DEM, hoje sem partido) causou impacto no meio acadêmico, em especial entre os cientistas políticos. O professor Edir Veiga, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destaca a “sinalização positiva” do Poder Judiciário, que teve “coragem em cortar a impunidade”. Para Rodolfo Teixeira, da Universidade de Brasília (UnB), o episódio mostra que “pode haver limite para a impunidade”. “Aquela situação confortável foi colocada em xeque”, disse Teixeira, fazendo referência ao comportamento da base aliada do governo na Câmara Distrital. “As instituições começam a funcionar”, avalia positivamente o acadêmico de Brasília.

agencia brasil

Quanto precisa chover para que o Tietê transborde?

Publicado por ACS em 31 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro

Nos últimos dias, a Folha e outros orgãos da mídia tem dançado em torno de um recorde irrelevante: se as chuvas deste janeiro em São Paulo serão ou não as maiores dos registros históricos. Minha pergunta é: e daí? Para quem é vítima das enchentes ou para quem dirige pelas marginais do Tietê e do Pinheiros isso é absolutamente irrelevante. A chuva “acumulada” nos recordes não caiu de uma só vez e, portanto, pode não haver relação entre a soma de toda chuva e os transbordamentos episódicos. Trata-se de um factóide à altura das mensagens de José Serra no Twitter: serve à desinformação. O que importa é saber o motivo pelo qual a obra central da estratégia contra as enchentes em São Paulo, o rebaixamento da calha do rio Tietê, não está dando conta de impedir os transbordamentos. É preciso ter em conta sempre o papel central que o rio Tietê tem nas enchentes da cidade: quase todos os rios que cortam São Paulo desaguam nele. Se não há vazão adequada no Tietê, o risco de transbordamento dos afluentes também aumenta. É impossível dançar em torno dessa realidade: o gerenciamento das represas do Alto Tietê e a capacidade de vazão do próprio rio são essenciais não apenas para a temporada de chuvas de 2010, mas de 2011, 2012, 2013… independentemente de quem seja o governador de São Paulo. Sabemos que o então governador Geraldo Alckmin concluiu uma obra bilionária cuja promessa central era acabar com as enchentes em São Paulo. Está até em um site tucano essa promessa. Ficou expressa em placas e faixas espalhadas pela região da marginal do Tietê. No entanto, quatro anos depois da conclusão desta obra o rio Tietê já transbordou quatro vezes: uma durante o próprio governo de Alckmin e três recentemente, no governo Serra. Foram milhões em prejuízos para a cidade, tanto em danos diretos como em danos indiretos. O que os paulistas e paulistanos gostariam de saber é: o Tietê vai encher outras vezes? Quanto precisa chover para que o Tietê transborde? A obra foi em vão? Ou houve falta de manutenção? Pelo que apurou a repórter Conceição Lemes, deste blog, o rio Tietê ficou três anos sem limpeza (2006, 2007, até outubro de 2008). O plano do governo de fazer uma parceria público-privada para providenciar a limpeza teria fracassado. A limpeza foi retomada através de concorrência pública, em 2008, bem abaixo do que é recomendado por alguns técnicos. Apesar da insistência da repórter, o órgão do governo que poderia fornecer os documentos comprovando que fez a limpeza, se de fato ela foi feita, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), se negou a responder. O que nos leva a uma questão secundária, não menos importante: a falta de transparência do governo Serra quando se trata de temas politicamente embaraçosos. O próprio Defensor Público que zela pelos interesses de moradores da Zona Leste vítimas das inundações teve de recorrer à Justiça para obter documentos da Sabesp e de outros órgãos controlados pelo governo Serra. A mídia exige do governo federal a transparência que não cobra de autoridades estaduais e locais.

www.viomundo.com.br

quem seria o “babaca” nessa história?

Publicado por ACS em 31 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas

Sergio Guerra é aquele senador (eleito por Pernambuco) que recebeu do presidente Lula a alcunha carinhosa de “babaca”. Guerra preside o PSDB. Partido que já teve entre seus líderes gente como Mario Covas e Franco Montoro. Podia-se discordar dos dois, mas era difícil achar quem os chamasse de “babacas”. Numa entrevista desastrada à revista “Veja”, Guerra disse que os tucanos vão acabar com o PAC se ganharem a eleição. Ele disse. É fato. Dilma o criticou por isso. Crítica política. Em resposta, o grande líder tucano chamou Dilma de mentirosa, entre outros impropérios. Como recompensa, ganhou de Lula o apelido carinhoso de “babaca”. O adjetivo talvez devesse ser outro. É o que concluo ao ler esse artigo, no blog do Nassif. Guerra, aquele que disse à “Veja” querer acabar com o PAC, usa em seu site pessoal as obras do PAC para faturar politicamente. Tira umas “lasquinha” das obras federais. Ele é contra o PAC, mas só para agradar os leitores da “veja” - entenderam? Fico a pensar: quem seria o “babaca” nessa história? Estaria o garboso líder tucano a imaginar que “babacas” podem ser os eleitores que o conduziram ao Senado? Não sei… Temo pelo futuro político de Sergio Guerra. Pesquisa Vox Populi acaba de mostrar que, em Pernambuco, Dilma disparou, passou Serra, e lidera com folga as pesquisas. É o que leio no blog do Eduardo Guimarães. Eduardo Campos - com apoio de Lula e do PT- deve se reeleger para o governo de Pernambuco, com um pé nas costas. E as duas vagas de senador também devem ficar com gente da base lulista. Sergio Guerra, avisam-me leitores pernambucanos, faria melhor se concorresse à vereança em 2012. Teria alguma chance, desde que parasse com essa “babaquice” de acabar com o PAC. Não pega bem para um vereador, ainda que tucano.

www.rodrigovianna.com.br

uma concessão pode ser objeto de partidarização?

Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro, pessoas

Eu ouvi uma fala dele (Merval Pereira) na CBN (a rádio que troca a notícia) com certeza o mesmo conteúdo da coluna (O Globo), mas, pra mim quem se superou foi a Lucía Hipócrita, ops, Hipólito. Ela garantiu que de jeito nenhum, de forma alguma, a oposição quer acabar com o PAC, como disse a ministra, oras, mesmo que o Guerra (faça humor não faça guerra) tenha dito claramente, segundo a Hipólito, não foi esse o sentido, (ela agora é porta-voz dos sentidos implícitos) já que todo político adora obra, então ele não disse o que disse e está acabado. Na verdade eu achei tão explícita a opinião dela como PSDBista, que não pode passar impune que num espaço de concessão o ouvinte não tenha acesso ao antitético. A pergunta que não pode calar é se uma concessão pode ser objeto de partidarização?

Ismar Curi | Escrevinhador

esses arautos do mercado, do liberalismo

Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas, arte, submundo

Evidente! Dizer que não existe luta ideológica é conversa fiada. Agora, “tudo é mercado”. É muito ruim, hein! Se fosse assim, bastava você pagar para ter publicado na grande imprensa qualquer conteúdo. Mas não é assim que a banda toca. Em 1999 eu queria fazer uns outdoors de uma exposição de charges sobre violência policial, com o título “A Polícia Mata”. Eu tinha o dinheiro, mas a empresa de outdoor se recusou. “Ué, mas não é o mercado? Não tinha o dinheiro?” Essas censuras são permanentes, continuam. Não é oficial, como na época da ditadura, mas agora você tem a censura do mercado, que é baseada também em questões ideológicas. Eu lembro que a CUT tinha um esquema para montar uma emissora de televisão, com estúdio, tudo pronto, mas não conseguia a concessão. Como é que se dá concessão de rádio e TV? É uma questão mercadológica? Nada disso, é uma questão essencialmente ideológica. Mas tem sempre esses arautos do mercado, do liberalismo dizendo: “Não, caiu o muro, agora não tem mais esquerda e direita”. Aqui que não tem! Neguinho bate no Chavez 24 horas! É uníssono. Não é possível que num país enorme como o Brasil, de norte a sul, todas as emissoras só batam no Chavez. Não pode haver essa unanimidade, tem de ter um contraponto. Até nos EUA, que são aquele monte de reaça, você tem contraponto. Sobre a guerra do Iraque, sobre a questão palestina, em Israel você tem o contraponto.

Carlos Latuff
André M. de Oliveira | Overmundo

o pobre de São Paulo tem a mania de morar em barranco

Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas

O jornal nacional desta sexta-feira admitiu que, mesmo com chuva fraca, São Paulo é o caos. (Esqueceu de dizer que, mesmo SEM chuva, São Paulo é o caos.) Uma reportagem chamou a atenção. Foi de César Menezes, que revestiu de “informação” toda a ideologia da elite paulista e, portanto, a ideologia de Zé Alagão. A culpa é dos pobres. Primeiro, porque os pobres não recolhem o lixo. Como se houvesse coleta de lixo em São Paulo. O que o César quer? Que o pobre cultive ratos em casa? Se a coleta não chega ou se nunca se sabe quando chegará, o que fazer: botar o lixo na rua, caro Watson. Outra observação interessante o repórter do jornal nacional: o pobre de São Paulo tem a mania de morar em barranco. Inacreditável. Podia morar no Morumbi, nos Jardins e na Vila Nova Conceição, mas não: pobre é assim mesmo. Vai morar na periferia em área de risco. E por que o Zé Alagão não foi lá e retirou o pobre, mandou para um CDHU e financiou a compra da casa própria com o dinheiro que gasta em publicidade? O que faz o Zé Alagão que não limpa o rio Tietê? O que faz o Zé Alagão que não constrói piscinões? Mas, sabe como é: o jornal nacional e alguns de seus bravos repórteres serão o último reduto da resistência tucana.

www.paulohenriqueamorim.com.br

um novo país para abrigar os haitianos

Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: politica & economia, cultura

Após o terremoto do dia 12 de janeiro no Haiti e destruiu parte da capital do país, o presidente do Senegal propôs que os haitianos “retornem” à África. A ideia de Abdoulaye Wade fez reviver uma das propostas básicas do movimento rastafari ao considerar possível que os habitantes do país deixem o sofrimento caribenho para ocupar um território que, promete, será fértil, e com similaridades com o caso de Israel. A proposta, criticada pelos oposicionistas a Wade, deve ser apresentada à União Africana, com a possibilidade de que se aprove a criação de um novo país para abrigar os haitianos que desejem mudar de continente. “Tudo o que estamos dizendo é que os haitianos não os levaram para lá. Eles estão lá devido à escravidão, cinco séculos de escravidão”, disse o presidente à Reuters TV. “Temos de lhes oferecer a chance de vir à África, esta é a minha ideia. Eles têm tantos direitos na África quanto eu tenho.”

www.redebrasilatual.com.br

a proposta altermundista

Publicado por ACS em 23 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro

Ao completar uma década, o Fórum Social Mundial retorna a Porto Alegre, cidade que recebeu a primeira e mais três edições. De 25 a 29 de janeiro, a capital gaúcha e mais cinco cidades da região metropolitana vão receber parte das atividades programadas para o evento em 2010. A programação inclui mais 27 atividades pelo mundo para celebrar o décimo aniversário. Realizado em Porto Alegre em 2001, 2002, 2003 e 2005, o FSM passou pela Índia, em 2004, pela Venezuela, em 2006, pelo Quênia, em 2007, teve uma versão multicêntrica em 2008 e voltou ao Brasil em 2009, em Belém. Em uma versão compacta, com expectativa de cerca de 30 mil pessoas – muito menor que a de Belém, que reuniu 130 mil – o FSM em Porto Alegre vai olhar ainda mais para dentro do processo que o criou, com reflexões sobre os 10 anos do encontro que nasceu com a ideia de pensar um “outro mundo possível”. “O grupo de organizações que esteve no começo do processo decidiu voltar a Porto Alegre. Além do sentido de comemoração, a ideia é fazer um balanço e organizar os planos”, afirmou um dos idealizadores do FSM, Oded Grajew. Intelectuais e criadores do fórum vão fazer o balanço de uma década e avaliar os rumos da proposta altermundista em um seminário internacional, com temas que vão da sustentabilidade ambiental ao novo ordenamento político mundial e a conjuntura econômica pós-crise. Estudantes, movimentos sociais, organizações não governamentais e representantes das esquerdas dos cinco continentes são esperados em Porto Alegre e nos municípios vizinhos de Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapiranga e Gravataí. Além de sediar as discussões do seminário internacional, Porto Alegre tem na programação oficinas, exposições, apresentações culturais e a tradicional marcha de abertura, que vai tomar as ruas da capital na tarde de segunda-feira (25). A maioria das atividades autogestionadas, organizadas por ONGs, centrais sindicais e movimentos sociais vai acontecer nas cidades vizinhas. O Acampamento Internacional da Juventude, que nos primeiros anos do FSM era instalado às margens do Rio Guaíba, dessa vez vai ficar em Novo Hamburgo, a cerca de 40 quilômetros de Porto Alegre. Entre os nomes confirmados para o megaevento, estão o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, o norte-americano Immanuel Wallerstein, o geógrafo britânico David Harvey e o economista egípcio Samir Amin. Apesar do caráter “não governamental e não partidário” do evento, definido em sua Carta de Princípios, a reunião também deve atrair políticos: na terça-feira (26), por exemplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ser o anfitrião da comemoração dos 10 anos do FSM no ginásio Gigantinho, com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, do Paraguai, Fernando Lugo e o recém-eleito Jose Mujica, do Uruguai.

www.agenciabrasil.gov.br

a turma que baba na gravata de tanta raiva

Publicado por ACS em 19 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro, pessoas

A classe média que ficou fora é aquela que baba de raiva nas “correntes da internet”, e nas ruas e bares paulistanos, cariocas e gaúchos. Essa classe média não suporta olhar para a cara de Lula, o “nordestino dos 4 dedos”. E o grande empresariado? Esse vota com o bolso. Pensei em tudo isso ao ler o artigo de Emilio Odebrecht, que me foi enviado por uma boa amiga jornalista, dessas que trabalham na “grande imprensa”, mas sabe muito bem que não é “sócia” dos patrões (nem nos lucros, nem no pensamento). O artigo do Odebrecht expressa a perplexidade de um grande empresário diante de uma imprensa que caiu no gueto. Uma imprensa que fala (só) para essa classe média raivosa que parece não gostar do Brasil, uma imprensa que não reconhece os avanços do país. O artigo de Odebrecht (a quem conheço só de nome) é o símbolo dessa estranha (mas efetiva) aliança lulista: “classe trabalhadora organizada”, “povão desorganizado” e “grandes capitalistas”. Quem está fora da “grande coalizão” é a classe média, associada aos ruralistas e aos donos da mídia. Essa base votará em Serra aconteça o que acontecer. O nó para Serra é: como atrair parte dos lulistas sem desagradar à direita que baba na gravata? Isso é problema do Serra. 21 anos depois daquela eleição (vencida por Collor, no fim das contas), a gente não poderia mais organizar “bota-fora” pro presidente da FIESP e pros grandes empresários. Em 89 era tudo mais divertido. Mas, em 2010, temos um país mais sólido. Apesar dessa turma que baba na gravata de tanta raiva. Pra espanto seu, meu. Pra espanto, também, do Emílio Odebrecht.

Rodrigo Vianna

o holocausto brasileiro (a ditadura militar)

Publicado por ACS em 10 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro, submundo

Durante os quatro anos que o blog Cidadania completará em 12 de fevereiro próximo estive em contato com muita opinião degenerada, mas as que li no post sobre o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos me puseram em contato com um tipo de gente que, ao negar o holocausto brasileiro (a ditadura militar), comete um crime de lesa-humanidade que deveria ser inscrito no Código Penal. Em vários países da União Européia, negar o Holocausto nazista é crime. Segundo as leis alemãs (desde 1993), o discurso de negação pode ser punido com cinco anos de cadeia. Na Áustria, com até 20 anos. Por que, no Brasil, permite-se que neguem o extermínio de inocentes não por sua herança genética, mas por sua ideologia? Só para que fique claro o absurdo da negação do holocausto brasileiro entre 1964 e 1985: alguém acha que a Europa admitiria que aqueles que combateram Hitler – e que durante algum ataque às suas forças acabaram provocando o efeito colateral de matar algum inocente – fossem comparados com o tirano austríaco-alemão? No Brasil, a resistência aos que violaram a Constituição e a vontade popular expressa em eleição legítima provocou meramente os mesmos danos que a resistência francesa provocou enquanto combatia os nazistas, simplesmente porque não é possível haver uma guerra civil – ou de qualquer espécie - sem baixas de inocentes em ambos os lados. Então por que condenam só a Hitler se os que lutaram contra ele mataram inocentes durante os combates? É simples: porque Hitler não se limitou ao combate. Como a ditadura militar brasileira, o tirano alemão dedicou-se a infligir sofrimento aos que capturava, e com requintes de crueldade que em nada diferem dos usados pelas ditaduras sul-americanas do século XX.

cidadania.com

esse vespeiro de torturadores

Publicado por ACS em 10 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro, submundo

O PiG (*) criou a segunda “crise” de 2010. A primeira foi a “crise” que o Ministro Jobim vazou, para criá-la: a dos caças. Agora é a “crise” do Programa Nacional de Direitos Humanos, que cria a Comissão da Verdade, para segundo o furioso Estadão, velho defensor de regimes autoritários, “para vasculhar (sic) os porões da ditadura e punir agentes do Estado por tortura”. (página A4). (Subsidiariamente, o Ministro da Agricultura, é contra um dos itens do Programa, porque, ainda segundo o Estadão, o Programa “mostra um certo preconceito contra a agricultura comercial”. Enquanto não se define o que seja “um certo preconceito”, o Ministro Reinhold Stephanes poderia demitir-se e voltar para o Paraná, onde deve fazer muita falta.) O PiG (*), o Ministro Jobim, o Farol de Alexandria e o Zé Alagão fizeram coro com o Supremo Presidente do Supremo e já disseram que não se deve tocar nesse vespeiro dos torturadores. O Presidente Supremo do Supremo, também chamado de Gilmar Dantas por dois eminentes colonistas (**) da Globo (***), valeu-se de argumento singular: não se deve revirar essa pedra, porque em outros países onde fizeram isso houve graves distúrbios. Só se for distúrbio como aquele que acomete quem frequentar o Guarujá, em São Paulo, e tomar a água que o presidente da Sabesp recomenda. (“Guarujá e Baixada Santista passam por surto de diarreia” ). Se o amigo navegante quiser se proteger da diarreia, não vá ao litoral de São Paulo, a Chuíça brasileira. Agora, se quiser se proteger do Jobim, do Supremo Presidente do Supremo, do Farol e do Zé Alagão, do PiG(*) e de todos os que defendem os torturadores, o Conversa Afiada oferece algumas leituras neste fim de semana. Primeiro, vá à mesma pág A4 do Estadão e veja o que diz o Paulo Sérgio Pinheiro, que presta serviços relevantes à ONU, na área de Direitos Humanos. Pinheiro acha que as críticas são infundadas, porque o Programa do Presidente Lula, primeiro, segue rigorosamente concepções internacionais, acertadas em Viena em 1993; e, segundo, essa é a terceira versão do programa. As duas versões anteriores foram lançadas no Governo Fernando Henrique a que Pinheiro serviu. Pinheiro ajudou o Ministro Paulo Vannuchi a trabalhar no texto desta terceira edição: “Tudo foi feito de maneira séria e democrática… Em São Paulo, a conferência foi organizada pelo Governo José Serra, com o Secretário de Justiça. Todos os ministros discutiram e concordaram, com exceção do Nelson Jobim”, conclui Pinheiro. Outra leitura a recomendar é o artigo da Juíza Kenarik Felippe, na página 3 da Folha.(****). A Dra. Kenarik Felippe vai julgar a ação penal contra o santinho do Dr. Roger Abdelmassih, que mereceu um habeas corpus do Supremo Presidente do Supremo, no recesso (Ah!, esses recessos!). Na Folha(****) de hoje, a Dra. Felippe responde à pergunta “é positiva a eventual revisão da Lei da Anistia ?” A resposta dela é: “Sim – Justiça não é revanchismo”. Diz ela: “É necessário que o passado de violação e impunidade não continue a ser parâmetro do presente, para que possamos consolidar a democracia e, no futuro, viver em um Brasil que não abrace a cultura autoritária de violência no seu dia a dia. Hitler dizia que ninguém se lembrava mais do genocídio de 1,5 milhão de armênios. Assim tivemos o genocídio dos judeus. Crimes que não atingiram apenas aquelas pessoas e povos, mas toda a humanidade….” “Afirmar que houve anistia para os torturadores é ética e juridicamente insustentável. Fere o patamar civilizatório em que a humanidade se encontra. Justiça ! Já não é sem tempo.” Finalmente, amigo navegante, para que Jobim e o Supremo Presidente do Supremo não turvem o seu fim de semana, vá à Carta Capital que está nas bancas, pág. 59 e veja o que diz Fábio Konder Comparato da pergunta “O STF pode vir a concluir que a anistia não beneficiou os torturadores ?” Veja a resposta de Comparato: “O STF vai ter que mostrar a cara. Vai dizer perante o público, não só no Brasil, mas na América Latina e no mundo todo, se realmente os donos do poder podiam, antes de largarem o poder, absolver antecipadamente os homicidas, os torturadores e os estupradores que trabalhavam para eles. Nós tivemos um terrorismo de Estado no Brasil. E a própria Lei de 1979 diz que não são abrangidos pela anistia aqueles que cometeram atos de terrorismo.” Continua Comparato: Se o Supremo absolver os torturadores, “eu, se ainda estiver em vida, ou vários outros militantes dos direitos humanos… iremos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para fazer uma denúncia contra o Estado brasileiro. … nós somos o único país na América que se recusou, até hoje, a processar e julgar os criminosos que atuaram em defesa da ditadura”.

Conversa Afiada

Europa | politicamente, só há gente madura e organizada

Publicado por ACS em 10 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro

Por dever de ofício, os arautos da direita brasileira se sentem na obrigação de descrever o Brasil como o país dos problemas sem solução (enquanto a coligação popular estiver no poder…), os Estados Unidos ainda como a “terra das oportunidades”, e a Europa…, bem a Europa como uma espécie de “mundo de Sissi”(com perdão da Romy Schneider, uma grande atriz), bonitinho, arrumadinho, cheio daquelas torrezinhas e casinhas de tijolinho vermelho que encantaram a minha infância. Ou um mundinho de casitas suíças ou tirolesas onde só Gepetos e Pinóquios habitam. Onde politicamente, só há gente madura e organizada. No real, a realidade é bem outra. Ainda mais hoje, quando a crise econômica, deflagrada entre setembro de 2007 e outubro de 2008, continua devastando as economias da União Européia e suas proximidades. Pela primeira vez em tais letras graúdas, um artigo de jornalista conceituado descreve o que pode vir a ser uma “implosão da zona do euro”, como é chamado o conglomerado de economias sob a nova moeda (e o novo Banco Central Europeu) criada em 2002. Trata-se de um artigo do jornalista Peter Oborne, colunista do britânico Daily Mail, mas publicado na revista The Observer, seção de artigos de fundo do diário The Guardian. Peter Oborne, hoje com 52 anos, é descrito por seus colegas jornalistas britânicos como um “conservador da cepa”, ou “à antiga”. Isso quer dizer que ele é um conservador que leva a sério seu conservadorismo, não o esconde, não se disfarça, nem disfarça sua ligação com uma certa ala do Partido Conservador. Defende ostensivamente a família, os bons costumes, a pouca intervenção do estado na economia, e ao mesmo tempo defende o pequeno comércio, a transparência na gestão pública e privada. Atacou com veemência o primeiro ministro Tony Blair e a intervenção britânica no Iraque; o primeiro, porque mentiu para o público britânico para justificar a segunda; e esta, porque atrelou definitivamente a política da Ilha de Sua Majestade à despótica, tirânica e algo suicida política de George Bush Filho. Oborne é um “eurocético tradicional”, ou até mesmo um “eurocontra”. Isto é, não vê a União Européia com otimismo desde sempre. Talvez por ter presenciado, em 1992, o desastre a que a adesão da Grã-Bretanha ao “Mecanismo de Taxa de Câmbio” europeu levou a política dos conservadores, fazendo o governo despender bilhões de libras de modo infrutífero na tentativa de manter a moeda valorizada frente ao marco alemão, pressionado pela reunificação das Alemanhas. Foi o que abriu caminho para os trabalhistas de Tony Blair na década seguinte. Mas no seu artigo ele chama a atenção para uma série de fatos relevantes, ainda que se possa discordar de sua radical conclusão, isto é, a de que a União Européia (ou mais especificamente a zona do euro) já está irremediavelmente fadada à implosão. Partindo do artigo, mas também dele se distanciando um tanto e misturando-o com outras informações, pode-se adiantar a visão de que, se o euro, como moeda unificada de uma Europa unificada, é freqüentemente descrito como uma verdadeira “Arca de Noé”, de salvação na catástrofe da crise, ele dá sinais também de poder ser um verdadeiro Titanic, cujo tamanho tira de seus tripulantes (mais do que de seus diretores…) a possibilidade de manobrar rapidamente num oceano sobrecarregado de armadilhas. Na Alemanha, por exemplo, a atual situação é crítica, mas não tão devastadora, por exemplo, quanto na Espanha. Na Alemanha a taxa de desemprego está nos 8% da mão de obra ativa. Isso já é alto. Diariamente uma tropa de pequenos negócios entra no brete do abate. Isso é um fato visível a olho nu. Mas o ainda forte (embora vá piorar, com a nova coligação CDU/CSU – FDP no poder) sistema previdenciário alemão segura as pontas. Na Espanha, essa taxa está em 20%. Entre os jovens (16 - 24 anos), essa taxa chega a absurdos 42%. O desemprego da juventude chega a 25% na Grécia, aos 27% na Itália, e passa dos 28% na Irlanda. Devasta a vizinha Islândia e seus 300 mil habitantes. A Islândia não entrou na União Européia. Mas como a Irlanda, tornou-se na última década uma das meninas dos olhos e dos investimentos da EU(sobretudo da Holanda) e também da Grã-Bretanha. Resultado: teve de pagar a esses países mais do que o seu orçamento em educação como ressarcimento de investidores que perderam dinheiro com a quebra de seus três maiores bancos. Isso se traduz em políticas violentas de cortes na previdência e outros investimentos sociais. Mais da metade dos jovens entre 18 e 25 anos deve emigrar nos próximos meses. Na Grécia o governo socialista que assumiu o poder em outubro do ano passado teve de rever a previsão de déficit orçamentário para o próximo ano, de 6,7 % (dado do governo conservador anterior) para 12,7%. O débito do setor público chegou a 125% da renda nacional anual. Ou seja, Islândia, Grécia, e provavelmente Espanha e Itália terão de bater às portas da União Européia e do FMI ;pedindo ajuda. A Islândia talvez tenha de aderir à zona do euro – não mais como menina dos olhos dos investidores, mas como mendicante em andrajos. Trocando em miúdos – ou em graúdos – a zona do euro está criando a sua própria “neo-periferia”. Ela pode ser a Arca de Noé para alguns e ao mesmo tempo o Titanic para muitos. Voltando ao artigo de Oborne, para o jornalista conservador isso se deve ao fato de a União Européia ter criado uma unidade monetária antes de criar uma unidade política. Para ele, a União Européia foi criada (e não é uma lógica de esquerda, veja-se bem, a ditar essas palavras) por e para banqueiros, para atacar “o modo de vida do trabalhador comum” (sic!) através da imposição de uma desregulamentação unificada de relações de trabalho (sic, sic, sic!), “para eliminar barreiras comerciais e borrar fronteiras nacionais” mas apenas em função de “criar mercados eficientes e maximizar os lucros”. Tudo isso embalado por uma retórica (que poderia muito bem caber nos nossos tradicionais defensores do “império dos mercados”) do que ele chama de “sadomonetaristas”. Aponta o jornalista que, na sua visão, isso se deve a uma nova forma “pós-moderna” de democracia, que é a da “democracia sem povo”. Por isso, diz ele, há um vácuo por detrás das políticas implementadas, um vácuo de perguntas que “sequer podem ser formuladas”. É isso, diz ele, que impede que os partidos que tradicionalmente deveriam assumir o interesse dos trabalhadores e dos sindicatos organizados o façam. Ele refere-se, naturalmente, a partidos como o social-democrata na Alemanha, o socialista na França, na Espanha e na Grécia. Para ele isso vai levar a uma situação que o seu pensamento conservador rejeita, que é a do crescimento dos partidos mais à esquerda [como já ocorreu em Portugal e na Alemanha]. Mas também, adverte ele, isso deixa um campo aberto para partidos de extrema direita, com sua pregação nacionalista à européia, que é sempre (ao contrário da nossa tradição latino-americana) excludente e xenófoba [como já ocorreu na Áustria, na Suíça e na Hungria e, de certo modo, na Itália de Berlusconi]. E o pesado fardo da moeda única impede a observação de soluções tradicionais, como a de, por exemplo, a Espanha poder desvalorizar a sua antiga peseta para tornar-se competitiva e gerar negócios externamente e empregos internamente. Discordo de Oborne quando ele diz que por isso a União Européia está na franja do colapso, embora isso possa levar algum tempo. Também discordo do viés conservador de suas soluções, como a da diminuição das intervenções estatais (afinal ele vê a história da União Européia como uma sucessão de vigorosas intervenções dos estados na vida política). Também discordo de que não seja possível chegar a um equilíbrio econômico através da organização de mecanismos supra-nacionais, como são o euro e a União Européia [e o Mercosul]. A questão, sim, é como furar o bloqueio conservador e como reverter o quadro de dominância de “virtudes neo-liberais” que tomou conta dos partidos antigamente de centro-esquerda na política européia. Agora, que ele botou o dedo em algumas feridas, botou.

Flavio Aguiar | Brasil Atual

Programa Nacional de Direitos Humanos | Viena 1993

Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro, pessoas

O cientista político Paulo Sério Pinheiro, que atua desde 1995 como relator da Organização das Nações Unidas (ONU) na área de direitos humanos, considera infundadas as críticas à abrangência do Programa Nacional de Direitos Humanos. Segundo suas explicações, o decreto com o qual o presidente da República instituiu o programa segue rigorosamente as concepções internacionais sobre o tema, acertadas em Viena, no ano de 1993. “Não foi o presidente Lula quem inventou isso”, diz ele. “Essa é a terceira edição do programa. Os dois anteriores, lançados em 1996 e em 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, tinham a mesma abrangência do programa que está sendo debatido agora. E tanto Lula quanto Fernando Henrique acertaram, porque direitos humanos não abarcam apenas direitos civis e políticos, como se imagina. Eles abrangem também questões como a fome, o racismo, gênero, distribuição de renda, salário, acesso à cultura, proteção das crianças contra a violência e muitas outras coisas.” Ainda segundo o especialista, esse conceito amplo vem sendo adotado internacionalmente há décadas. O Brasil, no entanto, só começou a ratificar acordos nessa linha a partir de 1992. “Não se fez antes porque a ditadura não aceitava”, afirma.

Estadao | Roldao Arruda | Luis Nassif

De seu patíbulo, William Waack abriu o jornal da globo de ontem com um editorial que amigo navegante chama de “grotesco”. Foi sobre os direitos humanos e sobre quem vai controlar os direitos humanos. Em resumo, Waack agrediu o bom senso e a razão, a pretexto de criticar o programa de Direitos Humanos que o Governo Lula pretende por em prática. Tudo com aquele semblante de assustar múmia. O “xis” da questão ficou à mostra na reportagem do jornal da globo que sustentou aquele “momento Boris Casoy” do William Waack. A reportagem cita a senadora Kátia Abreu, que acusa o programa do do Lula de ser contra a terra. Leia neste blog sobre o que um pequeno proprietário rural de Tocantins conta da nobre senadora – ela compra terras no grito e não planta nada. A reportagem do Waack também ouve o senador tucano Tasso “tenho jatinho porque posso”, que considera o programa de Direitos Humanos do Lula uma ofensa à liberdade. O ponto alto da reportagem é uma declaração do pseudo-presidente da Abert, a associação das empresas de televisão. Trata-se de Daniel Slaviero, funcionário do Ratinho. Ele veio com a televisão da família Pimentel que entrou para o elenco de propriedades do Ratinho no Paraná. Slaviero na verdade é vice-presidente da Abert, já que o Presidente de fato é o Senador Evandro Guimarães, eleito pela Globo. E Slaviero diz que o programa de Direitos Humanos do Lula é uma agressão à liberdade de imprensa. A Folha (*) de hoje diz que o programa é contra Igreja. A urubóloga Miriam Leitão, hoje na CNB, diz que o programa de Direitos Humanos do Lula vai impedir o movimento de rotação da Terra em torno do Sol. Não é por nada, não, amigo navegante, mas esse programa do Lula deve ser ótimo. Não li e já gostei …

Paulo Henrique Amorim

publicidade, neoliberal nenhum é de ferro

Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, lugares, pessoas

A cidade de São Paulo está descobrindo, a duras penas, que o preconceito tem preço. Isso ocorre porque esse sentimento menor nos leva a fazer escolhas que interferem em nossas vidas e que se baseiam em premissas moralistas que freqüentemente derivam da mais completa amoralidade. Sim, escrevo sobre o governo Gilberto Kassab, que vai se constituindo em um demonstrativo eloqüente da irresponsabilidade de José Serra, que, a exemplo de Maluf, legou à capital paulista outra nulidade como prefeito. E nem acho que ocorrerem tantas catástrofes a cada chuva em São Paulo seja o melhor exemplo da péssima administração que tem hoje aquela que é a maior cidade do país e uma das maiores do mundo. Sejamos francos: sempre tivemos problemas com chuvas. Dependendo da administração, esses problemas são maiores ou menores, mas sempre ocorrem. E isso porque esta cidade cresceu de uma forma insana e prefeito nenhum evitará que eles aconteçam, ainda que possam tomar medidas preventivas que a administração incompetente de minha cidade não tomou. E por que não tomou? Um dos problemas dessa gente é o ideológico. Kassab acreditou na crise tanto quanto Serra, FHC e a Mídia. Daí que, bem no início dela, o prefeito paulistano cortou quase 7 bilhões de reais do Orçamento por conta de uma queda na arrecadação perfeitamente assimilável. O governo federal vem amargando quedas na arrecadação desde o início da crise, mas optou por investir em vez de cortar. O resto da história todos conhecem. Já a ideologia tucano-pefelê-midiática, só pensa em cortar. Menos em publicidade, é claro, que neoliberal nenhum é de ferro.

cidadania.com

The Decade Past and the Decade Ahead

Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro

Entre 2000 e 2009, a China foi a grande vencedora. Seu PIB passou de US$ 1 trilhão para US$ 5 trilhões. A China cresceu mais do que dez Suécias e duas Franças. O Japão foi um dos grandes perdedores. Outra grande decepção foi o México. Até 2019, o PIB combinado dos BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China – será superior ao dos Estrados Unidos. Na década passada, PIB do Brasil mais do que dobrou. O potencial do Brasil para a década que vem é também mais excitante do que o da década passada. Além de uma demografia extremamente favorável, a crescente auto-confiança do Brasil, devidamente orientada, pode levar a um crescimento ainda maior do que imaginamos. O PIB do Brasil vai crescer na década que vem, na média, por ano, 4,6%. A China, 8,2%. Em 2019, as maiores economias do mundo serão: EUA, China, Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Índia Rússia, Itália e Brasil. Essas são as observações do ultimo Global Economics Weeky, de 6 de janeiro de 2010, do Banco Goldman Sachs, com o titulo “The Decade Past and the Decade Ahead” – a década que passou e a que vem – , de autoria de Jim O’Neill, economista chefe do banco e o homem que cunhou o acrônimo BRIC.

Conversa Afiada

o desespero da inveja e a explosão do preconceito

Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas

Titulou o jornal espanhol El País que 2009 foi o ano de Lula, em artigo de elogio ao presidente brasileiro assinado pelo primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero. Ao mesmo tempo que crescem os elogios internacionais ao trabalhador, a classe média e a velha direita no Brasil se assanham, pela imprensa e pela internet, em seus ataques ao líder. É o desespero da inveja, a explosão do preconceito. A reação da classe média e de seus porta-vozes na imprensa não se dirige a Lula, mas ao trabalhador. Não admitem que um pau de arara represente hoje, diante do mundo, um país das dimensões geográficas, econômicas, culturais e políticas do Brasil. Para essas senhoras deslumbradas da classe média e esses senhores que vivem bem, não se sabe com que recursos, é um desaforo que o torneiro mecânico seja recebido pelos reis e rainhas, que se assente ao lado de Elizabeth II, nos salões do Palácio de Buckingham, enquanto Obama se encontra, de pé, na segunda fila dos presentes. O presidente não recebe os aplausos somente por causa de sua história ou simpatia pessoal, que cativa quase todos os que o conhecem, mas – e principalmente – porque o povo brasileiro, sob sua liderança, tem trabalhado arduamente e vencido o pessimismo que nos atingia até poucos anos atrás. Lula tem dado o exemplo de que o povo é capaz de tudo. “Se o Lula chegou ao governo, por que não posso montar o meu negócio?”, é a pergunta que muitos se fazem, antes de criar sua pequena empresa, buscar financiamento, contratar trabalhadores de sua mesma origem, e promover o desenvolvimento do país.

Mauro Santayana | Rede Brasil Atual

a alavanca de geração de emprego

Publicado por ACS em 09 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro

A geração de emprego mostrou ao mundo que o Brasil estava preparado para enfrentar essa crise. Enquanto o mundo todo está desempregado, o Brasil gerou até novembro 1,4 milhão de empregos. O saldo ao final de 2009 vai ser superior a um milhão. Deve-se ao poder de compra do trabalhador. Em 2010 teremos o melhor ano do governo lula para geração de emprego e para o crescimento da economia. Em 2010, com a volta do crescimento da economia, vamos gerar mais de dois milhões de emprego. Número que coloca o Brasil num patamar de vanguarda, sendo a alavanca de geração de emprego.

Carlos Lupi
blog.planalto.gov.br

2009 | Crescimento emergente

Publicado por ACS em 03 Jan 2010 | sob: politica & economia, futuro

A Gerdau, gigante brasileira do aço com mais de 30 usinas, que realiza mais de 60% de seus negócios no exterior, havia começado sua expansão no Uruguai, Argentina, Chile e Colômbia, e havia criado desde 1999 uma filial norte-americana e espanhola, a Ameristeel. Mas é a joint-venture assinada na Índia com o grupo Kayani em 2007, assim como novas filiais no México e na Venezuela, que asseguram a rentabilidade do grupo. A America Movil (México), formada em 2000 a partir de aquisições na América Latina, tornou-se a terceira maior fornecedora mundial de telecomunicações sem fio, e opera em 18 países. A Orascom Telecom Holding (Egito) comprou operadoras de telefonia no mundo inteiro (Argélia, Paquistão, Zimbábue, entre outros) antes de adquirir a Wind, na Itália. Os resultados de 2009 são marcados pelo crescimento emergente. As bases internacionais da Huawei, fabricante de equipamentos tecnológicos chinesa, ficam no Zimbábue - em troca, a China obteve acesso privilegiado aos hidrocarbonetos. A Huawei reproduziu seu “knowhow” na Argélia e em toda a África. Outra chinesa do setor, a ZTE, tem o mesmo modelo: mais da metade das vendas acontece fora da China, com 14 filiais e sete centros de pesquisa e desenvolvimento fora das fronteiras do país. A Bajaj, fabricante indiana de motos, foi implantada nas Filipinas, na Colômbia e em outros pequenos mercados da África, através de distribuidores locais. A Chery, a mais jovem fabricante de automóveis chinesa, já está em 4º lugar no país por ser a principal exportadora, presente em cerca de 50 países, e com fábricas na Indonésia, Rússia, Irã, Uruguai e Egito. Estas implantações, permitindo ao mesmo tempo a conquista dos mercados locais, preparam o futuro tecnológico. A siderúrgica chinesa Baosteel aliou-se à mineradora brasileira Vale para construir uma usina de ponta no Brasil, que permitirá a ela aumentar a qualidade na indústria automobilística, sobretudo como fornecedora oficial da Fiat na China e da Shangai Automotive Industries Corporation (Saic). A indiana Tata Motors, para digerir sua compra da Land Rover, reforçou-se com duas joint-ventures rentáveis com a Thonburi (Tailândia) e Marcopolo (Brasil). A chinesa Zhenhua Port Machinery Company, que detém dois terços do mercado mundial de guindastes e gruas portuárias, está se diversificando para a exploração de petróleo no mar. A proximidade dos mercados ocidentais também conta, uma vez que ela permite reduzir os ciclos de criação de produtos, fator-chave do sucesso na moda, nos equipamentos leves e serviços. A Infosys, SSII indiana, tem centros de desenvolvimento na República Tcheca, nas Filipinas, no México e na China. A Genpact, sociedade indiana de serviços de alta tecnologia para empresas, tem filiais na Hungria, Polônia, Romênia e México. A chinesa Lenovo, 4ª fabricante mundial de PC s, monta os computadores nas regiões em que eles são vendidos (México, Estados Unidos, Índia, Polônia). Por fim, símbolo da globalização norte-americana, o McDonald’s atua na Rússia ao lado da gigante agroalimentar brasileira Sadia, presente em sete países, líder no Oriente Médio, e sócia local da líder russa dos nuggets, a Miratorg.

Joël Ruet, pesquisador CNRS, dirige o Observatório dos Emergentes | Controversia

maturidade que a mídia e a elite não conseguem entender

Publicado por ACS em 01 Jan 2010 | sob: politica & economia, pessoas

No campo da política, foi um ano muito difícil. A ambição dessa facção alucinada que tenta recuperar o poder a qualquer preço impôs entre nós uma crise econômica bem mais intensa do que poderia ter sido. Como em 2008 (no caso da febre amarela), o alarmismo continuou sendo a principal arma da imprensa golpista, do PSDB e do PFL. Trabalhadores e empresários se deixaram levar pelo pânico difundido pela mídia, que apostou na derrocada econômica em benefício do despachante que a elite descerebrada que tenta sabotar o Brasil escolhera para interromper o processo de distribuição de renda e de oportunidades ora em curso, o governador de São Paulo, José Serra. Apesar de tudo, o Brasil se mostrou maior do que essa elite tão mesquinha quanto microscópica. Mesmo com o pânico gerado por esses que tantas vezes estupraram a nossa sempre frágil democracia, passamos pela crise econômica com louvor. Para quem ainda não sabe, o Brasil fechou 2009 tendo a melhor aplicação financeira DO MUNDO neste ano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que se valorizou 141,6% em dólar de janeiro a dezembro. Isso aconteceu durante a maior crise econômica mundial dos últimos oitenta anos. Apesar do sofrimento e da angústia por que passamos mais uma vez, devo lhes dizer que foi até bom que a economia tivesse dado a parada que deu entre o fim do ano passado e o começo deste. Foi um freio de arrumação econômico. Se tivéssemos continuado crescendo na velocidade que estávamos em 2008, teríamos tido problemas com o câmbio e com a inflação, pois a capacidade de nossa indústria estava esgotada e só nos restava importar o que nos faltava para consumir. Poderíamos ter tido problemas sérios devido ao crescimento descontrolado, pois. Na política, apesar do ano de sobressaltos, de escândalos forjados pela mídia contra o governo visando pavimentar o caminho eleitoral de Serra, esses estratagemas fracassaram, pelo menos até aqui. O brasileiro vai mostrando maturidade que a mídia e a elite não conseguem ainda entender. O que importa, no fim, é que temos a previsão de um 2010 no qual a economia irá bombar com segurança e sustentabilidade e a política será tratada com seriedade e bom senso pelo povo.

Eduardo Guimaraes

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